
Ter o Descendente em Gémeos pode ser lido como a procura, no outro, da conversa que não começa por conta própria. O Descendente é o grau do zodíaco que estava a pôr-se no horizonte oeste no instante e no lugar em que nasceu: um ângulo, como o Ascendente e o Meio do Céu. Na astrologia, ele está associado ao outro, àquilo que lhe chega pelas relações. Gémeos, por sua vez, é tradicionalmente relacionado à palavra, à curiosidade e à troca. Quando interpretamos o Descendente em Gémeos, aproximamos esses dois campos simbólicos: o encontro com o outro e o assunto que circula entre dois.
Essa leitura tem uma longa história. Os astrólogos gregos chamavam a este ponto dysis, o poente, porque é ali que o Sol desaparece todas as tardes. A sétima casa, que começa nele, ficou com os assuntos de quem está diante de nós: o cônjuge, o sócio e também o adversário declarado, que a astrologia antiga punha no mesmo lugar. Se o Ascendente descreve como chega, o Descendente descreve o que lhe chega. Os gémeos do signo são Castor e Pólux, os Dioscuros: no mito grego, um era mortal e o outro imortal, e o imortal pediu para partilhar com o irmão a própria imortalidade, de modo que os dois passaram a alternar os dias entre os deuses e os mortos.
Descendente em Gémeos é Ascendente em Sagitário, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. O Descendente fica exatamente 180 graus depois do Ascendente, sem exceção e sem depender do sistema de casas que o seu mapa usou. A sua chegada e a sua procura podem, então, ser lidas como a mesma informação. Aquilo que exerce pouco no seu modo de chegar talvez seja o que vai buscar em quem se aproxima, e a queixa mais frequente sobre o parceiro pode acabar por descrever o que faltava em casa. A outra ponta está em Ascendente em Sagitário.
Os doze signos não passam pelo horizonte no mesmo tempo, e a diferença depende da cidade. Medido com a inclinação da Terra de hoje, 23,4381 graus, e com a fórmula que este site usa para montar o mapa, o tempo que Gémeos leva a pôr-se é este: em Fortaleza, a 3,7° S, 2h07, 8,87% do dia; em São Paulo, a 23,5° S, 2h02, 8,47%; e em Porto Alegre, a 30,0° S, 1h59, 8,31%. Esses números medem tempo de céu. Cesariana marcada, indução e horário de hospital concentram nascimentos em certas faixas do relógio, por isso vale a pena não os ler como percentagem de pessoas.
O próprio símbolo de Gémeos diz bastante. É o terceiro signo do zodíaco, de ar e mutável. De ar, o elemento associado ao pensamento, à palavra e à ligação. Mutável, a qualidade dos signos que fecham a estação e preparam a passagem para a próxima. O glifo ♊ costuma ser lido como duas colunas unidas em cima e em baixo, o dois romano. E há o regente, Mercúrio, o mensageiro, associado à troca e ao caminho entre dois pontos. Posto no Descendente, esse vocabulário passa a falar da curiosidade e da conversa que encontra no outro.
A pergunta humana que mora aqui talvez seja esta: o que a conversa com o outro faz com o que pensamos? Schopenhauer, nos Parerga e Paralipomena, observou que "Todo o homem toma os limites do seu próprio campo de visão pelos limites do mundo." Uma chegada em Sagitário costuma ter a opinião formada antes da pergunta. Podemos pensar que alguém que faz perguntas alarga esse campo de visão, e que é também por isso que atrai.
Uma maneira de investigar essa combinação é olhar para quem costuma ficar perto de si. Pode perceber que se aproxima de companhia que fala: curiosidade, troca, o comentário na hora certa, alguém que leu outra coisa e conta. Uma tarde inteira de conversa pode pesar mais, para si, do que um gesto grandioso, e é muitas vezes pela conversa que uma amizade vira outra coisa.
Heráclito deixou um fragmento que combina com este signo: "Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio." Com a conversa acontece algo parecido, ela nunca volta igual. Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se procuramos no outro o assunto, o que acontece quando a conversa ocupa o lugar da decisão? Falamos da casa, da mudança, do filho, e nada disso sai do papel? Conseguimos combinar um prazo, para que tanto assunto termine numa escolha?
Essas questões não significam que todo Descendente em Gémeos viva tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. Elas são caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos do Descendente e de Gémeos. Em vez de afirmar que alguém vai ter relações superficiais ou instáveis, podemos investigar a relação entre palavra, curiosidade e vínculo.
Sinastria amorosa: compatibilidade do casal · R$ 197,00
Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde combinam, onde se desentendem e o que faz a relação resultar.
O signo sugere o quê; o regente sugere onde. Gémeos é regido por Mercúrio, e o lugar de Mercúrio no seu mapa ajuda a ver em que área da vida essa procura aparece primeiro. Mercúrio na casa 10 costuma trazer o encontro pelo trabalho; na casa 9, pela viagem ou pelo estudo; na casa 3, pelo bairro e pelos irmãos. A regência usada aqui é a tradicional, a mesma da página do regente do mapa.
Na comparação de dois mapas, a observação antiga é simples: alguém cujo Sol, Lua ou Ascendente cai no seu Descendente costuma ser reconhecido depressa, com a sensação de "já conheço" antes de haver história. Com o Descendente em Gémeos, isso aponta para gente com peso em Gémeos no mapa. O reconhecimento rápido sugere que alguém ocupa o lugar que deixou livre; não diz se a relação é boa para si nem se vai durar. A leitura de um par olha os dois mapas inteiros; o assunto está em o que é sinastria.
O mapa tem quatro ângulos, em dois pares opostos. O Ascendente e o Descendente formam a linha do horizonte: como chega e o que chega até si. O Meio do Céu e o Fundo do Céu formam a linha do meridiano: o que as pessoas o veem a fazer e de onde veio. Os quatro dependem da hora exata, e três deles dependem também da cidade; o Meio do Céu é o único que não usa a latitude.
O Descendente não diz com quem vai ficar, nem quando, nem se vai. Nenhum signo casa ninguém, e não existe combinação proibida: gente com o Descendente em Gémeos constrói relações longas com as doze possibilidades do outro lado. A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a própria experiência; ela não faz diagnóstico nem substitui terapia, e uma relação que faz mal não melhora porque a geometria ajudou a entender de onde ela veio.
Se quiser fazer esta investigação no seu próprio desenho, a Sinastria de amizade lê a troca entre dois mapas no lugar em que ela costuma começar. A Sinastria amorosa: compatibilidade do casal olha para a mesma conversa quando ela vira par, e Onde encontrar o amor acompanha os caminhos pelos quais esse encontro tende a chegar.
A pergunta que fica é: que conversa só consegue ter com outra pessoa?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Descendente em Gémeos:
Descendente em Gémeos significa que vou ter mais de um relacionamento? Não necessariamente. Uma leitura possível é que a variedade chama por si, e variedade cabe dentro de uma relação só, na forma de assunto novo, viagem, gente diferente em volta. Ler isto como profecia de troca de parceiro seria ler um traço como se fosse um guião.
O Descendente é sempre o signo oposto ao Ascendente? Sempre, e isso é cálculo. O Descendente é o grau exatamente oposto ao do Ascendente, 180 graus de diferença, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Descendente em Gémeos e Ascendente em Sagitário são a mesma informação dita de dois jeitos, e quem sabe um fica a saber o outro.
O Descendente é a casa 7? Em Placidus, que é o sistema que este site usa, o Descendente é a cúspide da casa 7 por construção. Em casas iguais, nem sempre: ali a casa 7 começa no mesmo grau do Ascendente, meia volta adiante, e o Descendente pode cair na casa 6 ou na 7. Vale conferir qual sistema o seu mapa usou antes de misturar as duas coisas.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Descendente troca de signo junto com o Ascendente, e em 2h02, que é o tempo que Gémeos leva a pôr-se em São Paulo, cabe uma hora inteira adivinhada. Sem hora e sem cidade, o que se tem é um palpite com nome técnico.
Em resumo, o Descendente em Gémeos pode ser lido como a procura, no outro, da conversa que não começa por conta própria: a curiosidade que alarga o campo de visão e o convite a deixar que tanto assunto termine numa escolha. O lugar de Mercúrio no seu mapa mostra onde esse encontro costuma acontecer.
Palavras-chave descendente, casa 7, relacionamento no mapa astral, ascendente em sagitário
Descendente em Gémeos e Ascendente em Sagitário são a mesma reta vista pelas duas pontas. O que não exerce na sua chegada é o que vai procurar em quem se aproxima, e as duas coisas estão no mesmo mapa, separadas por meia volta exata. Veja o seu de graça aqui.
O Descendente nos 12 signos
O Ascendente nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Sagitário, e ele descreve como chega, enquanto o Descendente descreve o que chega até si.
