
Ter o Descendente em Aquário pode ser lido como a procura, no outro, do espaço que custa a dar a si. O Descendente é o grau do zodíaco que estava a pôr-se no horizonte oeste no instante e no lugar em que nasceu: um ângulo, como o Ascendente e o Meio do Céu. Na astrologia, está associado ao outro, àquilo que lhe chega pelas relações. Aquário, por sua vez, é tradicionalmente relacionado com a liberdade, a amizade, o grupo e o que foge à regra. Quando interpretamos o Descendente em Aquário, aproximamos esses dois campos simbólicos: o encontro com o outro e a autonomia.
Essa leitura tem uma longa história. Os astrólogos gregos chamavam a este ponto dysis, o poente, porque é ali que o Sol desaparece todas as tardes. A sétima casa, que começa nele, ficou com os assuntos de quem está diante de nós: o cônjuge, o sócio e também o adversário declarado, que a astrologia antiga punha no mesmo lugar. Se o Ascendente descreve como chega, o Descendente descreve o que lhe chega. A figura do signo é o portador de água, que os gregos associaram a Ganimedes, o jovem levado ao Olimpo para servir a bebida dos deuses. Aquário ficou ligado ao meio do inverno do hemisfério norte, a estação em que a vida espera debaixo da terra.
Descendente em Aquário é Ascendente em Leão, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. O Descendente fica exatamente 180 graus depois do Ascendente, sem exceção e sem depender do sistema de casas que o seu mapa usou. A sua chegada e a sua procura podem, então, ser lidas como a mesma informação. Aquilo que exerce pouco no seu modo de chegar talvez seja o que vai buscar em quem se aproxima, e a queixa mais frequente sobre o parceiro pode acabar por descrever o que faltava em casa. A outra ponta está em Ascendente em Leão.
Os doze signos não passam pelo horizonte no mesmo tempo, e a diferença depende da cidade. Medido com a inclinação da Terra de hoje, 23,4381 graus, e com a fórmula que este site usa para montar mapas, o tempo que Aquário leva a pôr-se é este: em Fortaleza, a 3,7° S, 1h57, 8,14% do dia; em São Paulo, a 23,5° S, 1h43, 7,16%; e em Porto Alegre, a 30,0° S, 1h37, 6,78%. Estes números medem tempo de céu. Cesariana marcada, indução e horário de hospital concentram nascimentos em certas faixas do relógio, por isso convém não os ler como percentagem de pessoas.
O próprio símbolo de Aquário diz bastante. É o décimo primeiro signo do zodíaco, de ar e fixo. De ar, o elemento associado ao pensamento e à ligação. Fixo, a qualidade dos signos que conservam a estação já instalada. O glifo ♒ costuma ser lido como duas linhas onduladas, a água que corre ou as ondas de uma corrente. E há o regente, Saturno na regência tradicional, a usada aqui, associado à regra e ao desvio dela. Posto no Descendente, este vocabulário passa a falar da liberdade e da igualdade que encontra no outro.
A pergunta humana que mora aqui talvez seja esta: quanto espaço cabe dentro de um vínculo? Lao Tsé, no Tao Te Ching, escreveu: "É o vazio que torna a taça útil." Pensada a partir desta posição, a imagem sugere que a distância também pode ser parte do encontro. Uma chegada em Leão precisa de ser vista, e podemos pensar que vai buscar fora o espaço que, por dentro, custa a permitir-se.
Uma maneira de investigar esta combinação é olhar para quem costuma ficar perto de si. Pode perceber que se aproxima de quem não prende: amizade antes de romance, independência, gente de fora do seu círculo, alguém que respeita a sua vida sem querer geri-la. Pode ser que um olhar que admira sem agarrar seja, para si, a forma mais fiável de carinho.
Jean-Paul Sartre, em O Ser e o Nada, escreveu: "O homem está condenado a ser livre." Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se procuramos no outro o espaço, o que acontece quando ele passa a ser distância, e "ele deixa-me ser" passa a ser "ele nem quer saber"? Se precisamos de presença, conseguimos pedir em voz alta aquilo que escolhemos sem dizer? Combinar a frequência dos encontros pode resolver mais do que parece.
Essas questões não significam que todo o Descendente em Aquário viva tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. São caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos do Descendente e de Aquário. Em vez de afirmar que alguém vai viver necessariamente relações frias ou abertas, podemos investigar a relação entre liberdade, presença e vínculo.
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Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde combinam, onde se desentendem e o que faz a relação resultar.
O signo sugere o quê; o regente sugere onde. Aquário é regido por Saturno, e o lugar de Saturno no seu mapa ajuda a ver em que área da vida essa procura aparece primeiro. Saturno na casa 10 costuma trazer o encontro pelo trabalho; na casa 9, pela viagem ou pelo estudo; na casa 3, pelo bairro e pelos irmãos. A regência usada aqui é a tradicional, a mesma da página do regente do mapa.
Na comparação de dois mapas, a observação antiga é simples: alguém cujo Sol, Lua ou Ascendente cai no seu Descendente costuma ser reconhecido depressa, com a sensação de "já conheço" antes de haver história. Com o Descendente em Aquário, isto aponta para gente com peso em Aquário no mapa. O reconhecimento rápido sugere que alguém ocupa o lugar que deixou livre; não diz se a relação é boa para si nem se vai durar. A leitura de um par olha para os dois mapas inteiros; o assunto está em o que é sinastria.
O mapa tem quatro ângulos, em dois pares opostos. O Ascendente e o Descendente formam a linha do horizonte: como chega e o que chega até si. O Meio do Céu e o Fundo do Céu formam a linha do meridiano: o que as pessoas o veem a fazer e de onde veio. Os quatro dependem da hora exata, e três deles dependem também da cidade; o Meio do Céu é o único que não usa a latitude.
O Descendente não diz com quem vai ficar, nem quando, nem se vai. Nenhum signo casa ninguém, e não existe combinação proibida: gente com o Descendente em Aquário constrói relações longas com as doze possibilidades do outro lado. A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a própria experiência; não faz diagnóstico nem substitui terapia, e uma relação que faz mal não melhora porque a geometria ajudou a perceber de onde veio.
Se quiser fazer esta investigação no seu próprio desenho, a Sinastria de amizade lê a troca entre dois mapas no lugar em que este Descendente costuma começar. A Sinastria amorosa: compatibilidade do casal olha para o mesmo encontro quando ele passa a ser par, para ver quanta distância cabe e onde ela aperta, e o Mapa do amor lê o Descendente junto com Saturno e a casa 7.
A pergunta que fica é: de quanto espaço precisa de receber para conseguir ficar?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Descendente em Aquário:
Descendente em Aquário quer dizer relacionamento aberto? Não necessariamente. Uma leitura possível é que quer dizer autonomia, que em muita gente se torna amizade longa antes do namoro, casais que moram em casas diferentes ou simplesmente duas agendas que não se fundem. O formato da relação é escolha de duas pessoas; o signo descreve o que o chama.
O Descendente é sempre o signo oposto ao Ascendente? Sempre, e isso é conta. O Descendente é o grau exatamente oposto ao do Ascendente, 180 graus de diferença, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Descendente em Aquário e Ascendente em Leão são a mesma informação dita de dois modos, e sabendo um já se sabe o outro.
O Descendente é a casa 7? Em Placidus, que é o sistema que este site usa, o Descendente é a cúspide da casa 7 por construção. Em casas iguais, nem sempre: ali a casa 7 começa no mesmo grau do Ascendente, meia volta adiante, e o Descendente pode cair na casa 6 ou na 7. Vale conferir qual sistema o seu mapa usou antes de misturar as duas coisas.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Descendente muda de signo junto com o Ascendente, e em 1h43, que é o tempo que Aquário leva a pôr-se em São Paulo, cabe uma hora adivinhada inteira. Sem hora e sem cidade, o que se tem é um palpite com nome técnico.
Em resumo, o Descendente em Aquário pode ser lido como a procura, no outro, do espaço que custa a dar a si: a atração por quem olha sem agarrar e o convite a pedir em voz alta a presença de que também precisa. O lugar de Saturno no seu mapa mostra onde esse encontro costuma acontecer.
Palavras-chave descendente, casa 7, relacionamento no mapa astral, ascendente em leão
Descendente em Aquário e Ascendente em Leão são a mesma reta vista pelas duas pontas. O que não exerce na sua chegada é o que vai procurar em quem se aproxima, e as duas coisas estão no mesmo mapa, separadas por meia volta exata. Veja o seu de graça aqui.
O Descendente nos 12 signos
O Ascendente nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Leão, e ele descreve como chega, enquanto o Descendente descreve o que chega até si.
