
Ter o Descendente em Balança pode ser lido como a procura, no outro, da medida que a sua pressa não costuma ter. O Descendente é o grau do zodíaco que estava a pôr-se no horizonte oeste no instante e no lugar em que nasceu: um ângulo, como o Ascendente e o Meio do Céu. Na astrologia, ele está associado ao outro, àquilo que lhe chega pelas relações. Balança, por sua vez, é tradicionalmente relacionado ao encontro, à harmonia, à beleza e à medida justa. Quando interpretamos o Descendente em Balança, aproximamos esses dois campos simbólicos: o encontro com o outro e o equilíbrio entre dois.
Essa leitura tem uma longa história. Os astrólogos gregos chamavam a este ponto dysis, o poente, porque é ali que o Sol desaparece todas as tardes. A sétima casa, que começa nele, ficou com os assuntos de quem está diante de nós: o cônjuge, o sócio e também o adversário declarado, que a astrologia antiga punha no mesmo lugar. Se o Ascendente descreve como chega, o Descendente descreve o que lhe chega. A balança tem uma história curiosa: os astrónomos gregos viam naquelas estrelas as garras do Escorpião vizinho, e foram os romanos que fixaram ali o desenho de uma balança. Balança começa no equinócio de setembro, quando o dia e a noite têm a mesma duração.
Descendente em Balança é Ascendente em Carneiro, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. O Descendente fica exatamente 180 graus depois do Ascendente, sem exceção e sem depender do sistema de casas que o seu mapa usou. A sua chegada e a sua procura podem, então, ser lidas como a mesma informação. Aquilo que exerce pouco no seu modo de chegar talvez seja o que vai buscar em quem se aproxima, e a queixa mais frequente sobre o parceiro pode acabar por descrever o que faltava em casa. A outra ponta está em Ascendente em Carneiro.
Os doze signos não passam pelo horizonte no mesmo tempo, e a diferença depende da cidade. Medido com a inclinação da Terra de hoje, 23,4381 graus, e com a fórmula que este site usa para montar o mapa, o tempo que Balança leva a pôr-se é este: em Fortaleza, a 3,7° S, 1h54, 7,96% do dia; em São Paulo, a 23,5° S, 2h12, 9,16%; e em Porto Alegre, a 30,0° S, 2h18, 9,62%. Esses números medem tempo de céu. Cesariana marcada, indução e horário de hospital concentram nascimentos em certas faixas do relógio, por isso vale a pena não os ler como percentagem de pessoas.
O próprio símbolo de Balança diz bastante. É o sétimo signo do zodíaco, de ar e cardinal, e isso tem a sua graça: no zodíaco natural, Balança é o signo da casa 7, de modo que este Descendente repete o desenho de origem. De ar, o elemento associado ao pensamento e à ligação. Cardinal, a qualidade dos signos que abrem a estação. O glifo ♎ costuma ser lido como a balança, e há quem veja nele o Sol a pôr-se sobre a linha do horizonte. E há a regente, Vénus, associada ao vínculo e à medida.
A pergunta humana que mora aqui talvez seja esta: o que é justo entre duas pessoas? Espinosa, no Tratado Político, escreveu: "Não rir, não lamentar, não detestar, mas compreender." Pensada a partir desta posição, a frase descreve bem o que se busca. Uma chegada em Carneiro decide primeiro e vê depois, e podemos pensar que alguém disposto a compreender o outro lado oferece aquilo que a pressa, por conta própria, não alcança.
Uma maneira de investigar essa combinação é olhar para quem costuma ficar perto de si. Pode perceber que se aproxima de quem equilibra: alguém agradável, diplomático, que sabe conversar com a sua família e desarmar a sua pressa. No meio de uma discussão, talvez seja essa a voz que pergunta "e a outra parte?", e é muitas vezes essa pergunta que lhe dá confiança.
Carl Gustav Jung, em O Homem Moderno em Busca de uma Alma, escreveu: "O encontro de duas personalidades é como o contacto de duas substâncias químicas: se há alguma reação, ambas se transformam." Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se procuramos no outro a medida, o que acontece quando o equilíbrio vira ausência de posição, e a resposta é "o que quiser", vezes seguidas? Conseguimos convidar o outro a discordar, em vez de o poupar disso?
Essas questões não significam que todo Descendente em Balança viva tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. Elas são caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos do Descendente e de Balança. Em vez de afirmar que alguém vai casar necessariamente ou depender da aprovação alheia, podemos investigar a relação entre pressa, justiça e vínculo.
Sinastria amorosa: compatibilidade do casal · R$ 197,00
Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde combinam, onde se desentendem e o que faz a relação resultar.
O signo sugere o quê; o regente sugere onde. Balança é regido por Vénus, e o lugar de Vénus no seu mapa ajuda a ver em que área da vida essa procura aparece primeiro. Vénus na casa 10 costuma trazer o encontro pelo trabalho; na casa 9, pela viagem ou pelo estudo; na casa 3, pelo bairro e pelos irmãos. A regência usada aqui é a tradicional, a mesma da página do regente do mapa.
Na comparação de dois mapas, a observação antiga é simples: alguém cujo Sol, Lua ou Ascendente cai no seu Descendente costuma ser reconhecido depressa, com a sensação de "já conheço" antes de haver história. Com o Descendente em Balança, isso aponta para gente com peso em Balança no mapa. O reconhecimento rápido sugere que alguém ocupa o lugar que deixou livre; não diz se a relação é boa para si nem se vai durar. A leitura de um par olha os dois mapas inteiros; o assunto está em o que é sinastria.
O mapa tem quatro ângulos, em dois pares opostos. O Ascendente e o Descendente formam a linha do horizonte: como chega e o que chega até si. O Meio do Céu e o Fundo do Céu formam a linha do meridiano: o que as pessoas o veem a fazer e de onde veio. Os quatro dependem da hora exata, e três deles dependem também da cidade; o Meio do Céu é o único que não usa a latitude.
O Descendente não diz com quem vai ficar, nem quando, nem se vai. Nenhum signo casa ninguém, e não existe combinação proibida: gente com o Descendente em Balança constrói relações longas com as doze possibilidades do outro lado. A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a própria experiência; ela não faz diagnóstico nem substitui terapia, e uma relação que faz mal não melhora porque a geometria ajudou a entender de onde ela veio.
Se quiser fazer esta investigação no seu próprio desenho, a Sinastria amorosa: compatibilidade do casal põe o seu mapa ao lado do de quem está consigo, para ver onde a pressa de um encontra a medida do outro. A Análise de sócios olha para os acordos do trabalho, que esta casa também governa, e o Mapa do amor lê o Descendente junto com Vénus e a casa 7.
A pergunta que fica é: em que conversa gostaria que alguém discordasse de si?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Descendente em Balança:
Descendente em Balança significa que vou casar? Não necessariamente. A casa 7 fala dos acordos feitos a dois: o cônjuge, o sócio, o parceiro de trabalho de longa data e também o adversário declarado. Balança ali fala do modo como esses acordos se fazem; se vão existir, o signo não diz.
O Descendente é sempre o signo oposto ao Ascendente? Sempre, e isso é cálculo. O Descendente é o grau exatamente oposto ao do Ascendente, 180 graus de diferença, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Descendente em Balança e Ascendente em Carneiro são a mesma informação dita de dois jeitos, e quem sabe um fica a saber o outro.
O Descendente é a casa 7? Em Placidus, que é o sistema que este site usa, o Descendente é a cúspide da casa 7 por construção. Em casas iguais, nem sempre: ali a casa 7 começa no mesmo grau do Ascendente, meia volta adiante, e o Descendente pode cair na casa 6 ou na 7. Vale conferir qual sistema o seu mapa usou antes de misturar as duas coisas.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Descendente troca de signo junto com o Ascendente, e em 2h12, que é o tempo que Balança leva a pôr-se em São Paulo, cabe uma hora inteira adivinhada. Sem hora e sem cidade, o que se tem é um palpite com nome técnico.
Em resumo, o Descendente em Balança pode ser lido como a procura, no outro, da medida que a sua pressa não costuma ter: a atração por quem compreende o outro lado e o convite a deixar que esse outro também discorde. O lugar de Vénus no seu mapa mostra onde esse encontro costuma acontecer.
Palavras-chave descendente, casa 7, relacionamento no mapa astral, ascendente em áries
Descendente em Balança e Ascendente em Carneiro são a mesma reta vista pelas duas pontas. O que não exerce na sua chegada é o que vai procurar em quem se aproxima, e as duas coisas estão no mesmo mapa, separadas por meia volta exata. Veja o seu de graça aqui.
O Descendente nos 12 signos
O Ascendente nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Carneiro, e ele descreve como chega, enquanto o Descendente descreve o que chega até si.
