
Ter o Descendente em Caranguejo pode ser lido como a procura, no outro, do cuidado que não pede em voz alta. O Descendente é o grau do zodíaco que estava a pôr-se no horizonte oeste no instante e no lugar em que nasceu: um ângulo, como o Ascendente e o Meio do Céu. Na astrologia, está associado ao outro, àquilo que lhe chega pelas relações. Caranguejo, por sua vez, é tradicionalmente relacionado com a casa, a origem, a proteção e o cuidado. Quando interpretamos o Descendente em Caranguejo, aproximamos esses dois campos simbólicos: o encontro com o outro e a necessidade de colo.
Essa leitura tem uma longa história. Os astrólogos gregos chamavam a este ponto dysis, o poente, porque é ali que o Sol desaparece todas as tardes. A sétima casa, que começa nele, ficou com os assuntos de quem está diante de nós: o cônjuge, o sócio e também o adversário declarado, que a astrologia antiga punha no mesmo lugar. Se o Ascendente descreve como chega, o Descendente descreve o que lhe chega. O caranguejo do signo aparece no mito grego como o bicho que Hera mandou contra Héracles na luta com a Hidra, pequeno diante do herói e posto no céu pela deusa. Caranguejo ficou ligado ao solstício de junho e à imagem de uma criatura de casca dura e interior macio.
Descendente em Caranguejo é Ascendente em Capricórnio, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. O Descendente fica exatamente 180 graus depois do Ascendente, sem exceção e sem depender do sistema de casas que o seu mapa usou. A sua chegada e a sua procura podem, então, ser lidas como a mesma informação. Aquilo que exerce pouco no seu modo de chegar talvez seja o que vai buscar em quem se aproxima, e a queixa mais frequente sobre o parceiro pode acabar por descrever o que faltava em casa. A outra ponta está em Ascendente em Capricórnio.
Os doze signos não passam pelo horizonte no mesmo tempo, e a diferença depende da cidade. Medido com a inclinação da Terra de hoje, 23,4381 graus, e com a fórmula que este site usa para montar mapas, o tempo que Caranguejo leva a pôr-se é este: em Fortaleza, a 3,7° S, 2h09, 9,01% do dia; em São Paulo, a 23,5° S, 2h15, 9,41%; e em Porto Alegre, a 30,0° S, 2h17, 9,57%. Estes números medem tempo de céu. Cesariana marcada, indução e horário de hospital concentram nascimentos em certas faixas do relógio, por isso convém não os ler como percentagem de pessoas.
O próprio símbolo de Caranguejo diz bastante. É o quarto signo do zodíaco, de água e cardinal. De água, o elemento associado à emoção e à memória. Cardinal, a qualidade dos signos que abrem a estação. O glifo ♋ costuma ser lido como as duas pinças do caranguejo, ou como duas espirais voltadas uma para a outra, como quem abraça. E há a regente, a Lua, associada ao cuidado, ao hábito e ao ritmo. Posto no Descendente, este vocabulário passa a falar do acolhimento que encontra no outro, muitas vezes antes de saber que precisava dele.
A pergunta humana que mora aqui talvez seja esta: o que nos impede de receber cuidado? Donald Winnicott, em Os Processos de Amadurecimento e o Ambiente Facilitador, escreveu: "É uma alegria estar escondido, mas um desastre não ser encontrado." Pensada a partir desta posição, a frase ilumina um paradoxo. Uma chegada em Capricórnio costuma apresentar-se como quem dá conta de tudo e não precisa de nada, e mesmo assim talvez espere, por dentro, que alguém a encontre.
Uma maneira de investigar esta combinação é olhar para quem costuma ficar perto de si. Pode perceber que se aproxima de quem cuida sem lhe ser pedido: casa, comida, colo, memória das datas, coisas que uma chegada em Capricórnio tende a tratar como supérfluas até faltarem. Pode acontecer dizer que "não precisa" e escolher, todas as vezes, alguém que insiste.
Erich Fromm, em A Arte de Amar, escreveu: "O amor imaturo diz: amo-te porque preciso de ti. O amor maduro diz: preciso de ti porque te amo." Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se procuramos no outro o cuidado, o que acontece quando ele passa a ser a única língua da casa, e um cuida enquanto o outro produz? E no sentido contrário: tratamos o cuidado recebido como cobrança, e respondemos com competência quando estava a ser oferecido afeto?
Essas questões não significam que todo o Descendente em Caranguejo viva tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. São caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos do Descendente e de Caranguejo. Em vez de afirmar que alguém procura necessariamente uma figura materna, podemos investigar a relação entre autonomia, cuidado e vínculo.
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Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde combinam, onde se desentendem e o que faz a relação resultar.
O signo sugere o quê; o regente sugere onde. Caranguejo é regido pela Lua, e o lugar da Lua no seu mapa ajuda a ver em que área da vida essa procura aparece primeiro. A Lua na casa 10 costuma trazer o encontro pelo trabalho; na casa 9, pela viagem ou pelo estudo; na casa 3, pelo bairro e pelos irmãos. A regência usada aqui é a tradicional, a mesma da página do regente do mapa.
Na comparação de dois mapas, a observação antiga é simples: alguém cujo Sol, Lua ou Ascendente cai no seu Descendente costuma ser reconhecido depressa, com a sensação de "já conheço" antes de haver história. Com o Descendente em Caranguejo, isto aponta para gente com peso em Caranguejo no mapa. O reconhecimento rápido sugere que alguém ocupa o lugar que deixou livre; não diz se a relação é boa para si nem se vai durar. A leitura de um par olha para os dois mapas inteiros; o assunto está em o que é sinastria.
O mapa tem quatro ângulos, em dois pares opostos. O Ascendente e o Descendente formam a linha do horizonte: como chega e o que chega até si. O Meio do Céu e o Fundo do Céu formam a linha do meridiano: o que as pessoas o veem a fazer e de onde veio. Os quatro dependem da hora exata, e três deles dependem também da cidade; o Meio do Céu é o único que não usa a latitude.
O Descendente não diz com quem vai ficar, nem quando, nem se vai. Nenhum signo casa ninguém, e não existe combinação proibida: gente com o Descendente em Caranguejo constrói relações longas com as doze possibilidades do outro lado. A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a própria experiência; não faz diagnóstico nem substitui terapia, e uma relação que faz mal não melhora porque a geometria ajudou a perceber de onde veio.
Se quiser fazer essa investigação no seu próprio desenho, o Mapa do amor lê o Descendente junto com a Lua, a regente de Caranguejo, e a casa 7. A Sinastria amorosa: compatibilidade do casal põe o seu mapa ao lado do de quem está consigo, e a leitura Mapa da ancestralidade acompanha a casa de onde veio, que costuma ensinar a primeira forma de cuidar e de ser cuidado.
A pergunta que fica é: o que muda quando deixa alguém cuidar de si?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Descendente em Caranguejo:
Descendente em Caranguejo quer dizer que preciso de alguém maternal? Uma leitura possível é que o cuidado é o que o chama, e cuidado pode aparecer de muitos modos além do materno: em quem cozinha, em quem se lembra, em quem volta a perguntar. Ler isto como "procuro uma mãe" pode acabar por ser uma forma de continuar sem receber.
O Descendente é sempre o signo oposto ao Ascendente? Sempre, e isso é conta. O Descendente é o grau exatamente oposto ao do Ascendente, 180 graus de diferença, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Descendente em Caranguejo e Ascendente em Capricórnio são a mesma informação dita de dois modos, e sabendo um já se sabe o outro.
O Descendente é a casa 7? Em Placidus, que é o sistema que este site usa, o Descendente é a cúspide da casa 7 por construção. Em casas iguais, nem sempre: ali a casa 7 começa no mesmo grau do Ascendente, meia volta adiante, e o Descendente pode cair na casa 6 ou na 7. Vale conferir qual sistema o seu mapa usou antes de misturar as duas coisas.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Descendente muda de signo junto com o Ascendente, e em 2h15, que é o tempo que Caranguejo leva a pôr-se em São Paulo, cabe uma hora adivinhada inteira. Sem hora e sem cidade, o que se tem é um palpite com nome técnico.
Em resumo, o Descendente em Caranguejo pode ser lido como a procura, no outro, do cuidado que não pede em voz alta: o acolhimento que encontra quem diz que não precisa e o convite a deixar esse cuidado chegar. O lugar da Lua no seu mapa mostra onde esse encontro costuma acontecer.
Palavras-chave descendente, casa 7, relacionamento no mapa astral, ascendente em capricórnio
Descendente em Caranguejo e Ascendente em Capricórnio são a mesma reta vista pelas duas pontas. O que não exerce na sua chegada é o que vai procurar em quem se aproxima, e as duas coisas estão no mesmo mapa, separadas por meia volta exata. Veja o seu de graça aqui.
O Descendente nos 12 signos
O Ascendente nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Capricórnio, e ele descreve como chega, enquanto o Descendente descreve o que chega até si.
