
Ter o Descendente em Capricórnio pode ser lido como a procura, no outro, da estrutura que lhe custa construir por conta própria. O Descendente é o grau do zodíaco que estava a pôr-se no horizonte oeste no instante e no lugar em que nasceu: um ângulo, como o Ascendente e o Meio do Céu. Na astrologia, ele está associado ao outro, àquilo que lhe chega pelas relações. Capricórnio, por sua vez, é tradicionalmente relacionado à estrutura, ao compromisso, à responsabilidade e ao tempo. Quando interpretamos o Descendente em Capricórnio, aproximamos esses dois campos simbólicos: o encontro com o outro e a palavra que se cumpre.
Essa leitura tem uma longa história. Os astrólogos gregos chamavam a este ponto dysis, o poente, porque é ali que o Sol desaparece todas as tardes. A sétima casa, que começa nele, ficou com os assuntos de quem está diante de nós: o cônjuge, o sócio e também o adversário declarado, que a astrologia antiga punha no mesmo lugar. Se o Ascendente descreve como chega, o Descendente descreve o que lhe chega. A figura do signo é a cabra com cauda de peixe, uma imagem que já aparece na Mesopotâmia e que os gregos depois ligaram a Pã. Capricórnio ficou ligado ao solstício de dezembro, quando no hemisfério norte o Sol começa a voltar depois da noite mais longa.
Descendente em Capricórnio é Ascendente em Caranguejo, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. O Descendente fica exatamente 180 graus depois do Ascendente, sem exceção e sem depender do sistema de casas que o seu mapa usou. A sua chegada e a sua procura podem, então, ser lidas como a mesma informação. Aquilo que exerce pouco no seu modo de chegar talvez seja o que vai buscar em quem se aproxima, e a queixa mais frequente sobre o parceiro pode acabar por descrever o que faltava em casa. A outra ponta está em Ascendente em Caranguejo.
Os doze signos não passam pelo horizonte no mesmo tempo, e a diferença depende da cidade. Medido com a inclinação da Terra de hoje, 23,4381 graus, e com a fórmula que este site usa para montar o mapa, o tempo que Capricórnio leva a pôr-se é este: em Fortaleza, a 3,7° S, 2h07, 8,87% do dia; em São Paulo, a 23,5° S, 2h02, 8,47%; e em Porto Alegre, a 30,0° S, 1h59, 8,31%. Esses números medem tempo de céu. Cesariana marcada, indução e horário de hospital concentram nascimentos em certas faixas do relógio, por isso vale a pena não os ler como percentagem de pessoas.
O próprio símbolo de Capricórnio diz bastante. É o décimo signo do zodíaco, de terra e cardinal. De terra, o elemento associado ao corpo e ao resultado que se pode verificar. Cardinal, a qualidade dos signos que abrem a estação. O glifo ♑ costuma ser lido como o chifre da cabra seguido da cauda enrolada do peixe. E há o regente, Saturno, associado à estrutura, ao limite e ao tempo. Posto no Descendente, esse vocabulário passa a falar da firmeza e da responsabilidade que encontra no outro.
A pergunta humana que mora aqui talvez seja esta: o que é um compromisso? Erich Fromm, em A Arte de Amar, escreveu: "O amor é uma atividade, não um afeto passivo." Pensada a partir desta posição, a frase lembra que o vínculo se faz de atos repetidos. Uma chegada em Caranguejo organiza o mundo pelo afeto, e podemos pensar que encontra no outro a parte do amor que se mede em promessas cumpridas.
Uma maneira de investigar essa combinação é olhar para quem costuma ficar perto de si. Pode perceber que se aproxima de quem garante o combinado: alguém mais velho, mais estabelecido ou simplesmente mais firme, que assina e cumpre. Um parceiro que aparece na hora marcada, que planeia o ano e honra a palavra dada pode trazer, para si, uma segurança difícil de explicar.
Marco Aurélio, nas Meditações, escreveu a si mesmo: "Não percas mais tempo a discutir o que deve ser um homem bom. Sê um." Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se procuramos no outro a estrutura, o que acontece quando a seriedade vira frieza, um quer aconchego e o outro quer plano? Conseguimos dizer em voz alta o que estamos a pedir, já que essas duas línguas não se traduzem por conta própria?
Essas questões não significam que todo Descendente em Capricórnio viva tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. Elas são caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos do Descendente e de Capricórnio. Em vez de afirmar que alguém vai envolver-se necessariamente com gente fria ou distante, podemos investigar a relação entre afeto, responsabilidade e vínculo.
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Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde combinam, onde se desentendem e o que faz a relação resultar.
O signo sugere o quê; o regente sugere onde. Capricórnio é regido por Saturno, e o lugar de Saturno no seu mapa ajuda a ver em que área da vida essa procura aparece primeiro. Saturno na casa 10 costuma trazer o encontro pelo trabalho; na casa 9, pela viagem ou pelo estudo; na casa 3, pelo bairro e pelos irmãos. A regência usada aqui é a tradicional, a mesma da página do regente do mapa.
Na comparação de dois mapas, a observação antiga é simples: alguém cujo Sol, Lua ou Ascendente cai no seu Descendente costuma ser reconhecido depressa, com a sensação de "já conheço" antes de haver história. Com o Descendente em Capricórnio, isso aponta para gente com peso em Capricórnio no mapa. O reconhecimento rápido sugere que alguém ocupa o lugar que deixou livre; não diz se a relação é boa para si nem se vai durar. A leitura de um par olha os dois mapas inteiros; o assunto está em o que é sinastria.
O mapa tem quatro ângulos, em dois pares opostos. O Ascendente e o Descendente formam a linha do horizonte: como chega e o que chega até si. O Meio do Céu e o Fundo do Céu formam a linha do meridiano: o que as pessoas o veem a fazer e de onde veio. Os quatro dependem da hora exata, e três deles dependem também da cidade; o Meio do Céu é o único que não usa a latitude.
O Descendente não diz com quem vai ficar, nem quando, nem se vai. Nenhum signo casa ninguém, e não existe combinação proibida: gente com o Descendente em Capricórnio constrói relações longas com as doze possibilidades do outro lado. A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a própria experiência; ela não faz diagnóstico nem substitui terapia, e uma relação que faz mal não melhora porque a geometria ajudou a entender de onde ela veio.
Se quiser fazer esta investigação no seu próprio desenho, a Sinastria amorosa: compatibilidade do casal põe o seu mapa ao lado do de quem está consigo, para ver onde o afeto de um encontra o plano do outro. A Análise de sócios olha para os compromissos do trabalho, onde este Descendente costuma mostrar-se com nitidez, e o Mapa do amor lê o Descendente junto com Saturno e a casa 7.
A pergunta que fica é: que promessa gostaria de ver cumprida, e qual lhe cabe cumprir?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Descendente em Capricórnio:
Por que eu me envolvo com gente mais velha? É uma das formas mais comuns deste Descendente, e há outras. Uma leitura possível é que Capricórnio pede autoridade, e ela pode vir da idade, da profissão, da calma ou de já ter passado por aquilo. Gente da mesma idade com a vida montada cumpre o mesmo papel.
O Descendente é sempre o signo oposto ao Ascendente? Sempre, e isso é cálculo. O Descendente é o grau exatamente oposto ao do Ascendente, 180 graus de diferença, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Descendente em Capricórnio e Ascendente em Caranguejo são a mesma informação dita de dois jeitos, e quem sabe um fica a saber o outro.
O Descendente é a casa 7? Em Placidus, que é o sistema que este site usa, o Descendente é a cúspide da casa 7 por construção. Em casas iguais, nem sempre: ali a casa 7 começa no mesmo grau do Ascendente, meia volta adiante, e o Descendente pode cair na casa 6 ou na 7. Vale conferir qual sistema o seu mapa usou antes de misturar as duas coisas.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Descendente troca de signo junto com o Ascendente, e em 2h02, que é o tempo que Capricórnio leva a pôr-se em São Paulo, cabe uma hora inteira adivinhada. Sem hora e sem cidade, o que se tem é um palpite com nome técnico.
Em resumo, o Descendente em Capricórnio pode ser lido como a procura, no outro, da estrutura que lhe custa construir por conta própria: a atração por quem cumpre o combinado e o convite a dizer em voz alta o afeto que se espera junto com o plano. O lugar de Saturno no seu mapa mostra onde esse encontro costuma acontecer.
Palavras-chave descendente, casa 7, relacionamento no mapa astral, ascendente em câncer
Descendente em Capricórnio e Ascendente em Caranguejo são a mesma reta vista pelas duas pontas. O que não exerce na sua chegada é o que vai procurar em quem se aproxima, e as duas coisas estão no mesmo mapa, separadas por meia volta exata. Veja o seu de graça aqui.
O Descendente nos 12 signos
O Ascendente nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Caranguejo, e ele descreve como chega, enquanto o Descendente descreve o que chega até si.
