
Ter Plutão em Libra pode ser lido como a marca da geração nascida entre 1972 e 1984, a que refez o casamento e o que se entende por igualdade. Na astrologia, Plutão está associado à área da vida que não volta ao que era, onde a crise não devolve o que levou, onde o poder aparece (o seu e o dos outros) e onde a reconstrução vira a saída possível. Libra, por sua vez, é tradicionalmente relacionado ao outro, ao acordo e ao equilíbrio. Quando aproximamos esses dois campos simbólicos, a relação deixa de ser costume e passa a ser negociação, com tudo o que isso tem de honesto e de duro.
Antes de seguir, a ressalva que acompanha as três séries geracionais: o signo de Plutão é da sua geração, e só por meio dela fala de você. Ele fica de doze a trinta e um anos em cada signo, e essa variação vem da órbita dele, a mais excêntrica dos nove corpos que este blog lê. Sozinho, o signo descreve o que uma faixa inteira de gente teve de refazer; a parte pessoal mora na casa em que ele caiu, que depende da hora exata de nascimento. E há um relógio próprio: a quadratura de Plutão não tem idade fixa. Em Urano a oposição cai perto dos 42 e em Netuno a quadratura perto dos 41, para qualquer geração; em Plutão ela varia de 36 a mais de 80 anos, conforme o signo em que ele estava quando você nasceu.
No mito, o reino de Plutão também conheceu um acordo. Perséfone, levada por Hades, o Plutão dos romanos, comeu algumas sementes de romã antes de voltar para a mãe, e quem comia o alimento dos mortos ficava ligado a eles. A solução foi dividir o ano: uma parte com Deméter, outra no mundo de baixo. É uma imagem de vínculo negociado, em que nenhum dos lados fica com tudo. A balança de Libra, por sua vez, tem história própria: os antigos viam ali as garras do Escorpião, e foram os romanos que firmaram a imagem da balança, ligada ao equinócio de setembro, quando o dia e a noite têm a mesma duração. Plutão passou por Libra de julho de 1972 a agosto de 1984, doze anos, e é a faixa que hoje está entre os quarenta e um e os cinquenta e três. É a primeira geração em que a separação era normal e em que a igualdade dentro de casa passou a ser cobrada em voz alta. Muitos cresceram vendo o casamento dos pais acabar e chegaram à vida adulta sem modelo pronto.
O próprio símbolo diz bastante. Libra é ar cardinal, regido por Vênus: ar, o elemento associado à ideia, à conversa e à ligação; cardinal, a qualidade dos signos que abrem estação. O glifo ♎ costuma ser lido como os pratos de uma balança, ou como o Sol se pondo no horizonte, na hora em que a luz e a escuridão se equilibram. Plutão, cujo glifo mais usado, ♇, junta as letras P e L, põe poder dentro do assunto do signo em que está. Aqui o assunto é o vínculo, e a combinação pode ser lida como a que trocou o contrato herdado pelo acordo negociado. Negociar cansa, e cada acordo feito do zero, numa vida inteira, dá mais trabalho do que qualquer geração anterior teve.
Uma maneira de investigar essa combinação é olhar a diferença entre o que essa geração aceita numa relação e o que a anterior aceitava. Podemos imaginar alguém que não aguenta relação desigual, mesmo confortável, que viu um casamento acabar de perto e cedo e que passou por uma relação que reorganizou a vida inteira. Alguém que negocia tudo e cansa de negociar, que demora a se comprometer e leva a sério quando se compromete, e que às vezes confunde justiça com provar quem está certo. Dependência e incapacidade de compromisso são os rótulos que esta posição costuma carregar, e eles descrevem o excesso. A mecânica fala de uma geração que pôs poder dentro da conversa entre duas pessoas.
Carl Gustav Jung, em O Homem Moderno em Busca de uma Alma, escreveu: "O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se há alguma reação, ambas se transformam." Pensada a partir de Plutão em Libra, a frase descreve bem o tipo de relação que essa faixa passou a esperar, uma em que os dois saem diferentes. Erich Fromm, em A Arte de Amar, escreveu que "O amor é uma atividade, não um afeto passivo." Para uma geração que precisou construir cada acordo, a ideia ganha um peso prático. A pergunta filosófica que mora nesta combinação pode ser esta: o que é justo entre duas pessoas que se escolheram?
A luz dessa posição pode ser lida como o acordo entre iguais. A mudança que essa faixa fez na vida doméstica é maior do que a estatística mostra: divisão de tarefa, direito de sair, conversa sobre dinheiro, tudo isso ficou mais comum porque ela recusou o contrário. Na prática, podemos pensar numa capacidade real de negociar sem ceder o essencial, numa sensibilidade para injustiça que muda um ambiente de trabalho e numa honestidade nas relações que dói e resolve. Essa força costuma render em mediação, direito, sociedade, recursos humanos e qualquer arranjo em que o acordo seja o produto. Em ambientes de hierarquia rígida sem discussão, onde só um lado fala ou onde reclamar é tratado como deslealdade, ela tende a se desgastar.
Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se recusamos a relação desigual, conseguimos ceder no pequeno sem sentir que perdemos o principal? Se medimos o que damos e o que recebemos, alguma conta fecha? E quando paramos de pedir para evitar a negociação, a quem estamos entregando o nosso lado do acordo?
No Método Shelly, cada posição é lida por quatro faces: a luz, a sombra, o excesso e a deficiência. Em Plutão, o excesso e a deficiência fazem algo que em nenhum outro planeta acontece: costumam se alternar na mesma vida. Controlar tudo e não conseguir mexer em nada podem ser a mesma dificuldade em dois tempos. No excesso, a busca por igualdade vira disputa permanente: cada relação se torna um balanço do que foi dado e do que foi recebido, e a dificuldade de ceder no pequeno gasta o vínculo mais que qualquer diferença grande. Na deficiência, o poder é entregue e se chama isso de aceitação, e aqui ela pode aparecer como o próprio lado do acordo abandonado: deixar de pedir, deixar de dizer o que se quer e chamar isso de ser fácil de conviver, enquanto a competência dessa geração, que é negociar de igual para igual, fica desligada. As duas faces têm a mesma matéria-prima, e o que costuma ajudar nas duas é um acordo dito antes, em vez de menos exigência. Pedir para ceder mais tende a produzir a segunda face, porque ceder sem dizer nada é justamente ela. Dizer no começo o que cada um precisa, em vez de cobrar depois, é um ajuste que a casa de Plutão e o resto do mapa ajudam a localizar.
Essas questões não significam que todos os nascidos com Plutão em Libra vivam tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. Elas são caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos de Plutão e de Libra.
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As partes suas que você esconde ou evita, e como elas podem virar a sua maior força.
Com o tempo, a exigência pode virar combinado dito em voz alta, sem precisar virar paciência de aguentar tudo. A honestidade continua sendo o talento; o que pode mudar é ela deixar de chegar em forma de cobrança. Há um relógio que ajuda a pensar esse arco: a quadratura de Plutão, quando ele chega a noventa graus do ponto que ocupava no nascimento, um quarto da volta. Como a órbita é excêntrica, a idade muda de geração para geração. Ela cai perto dos 36 em Virgem e em Libra, e depois dos 70 em Aquário. Para essa geração ela vem dos trinta e seis aos trinta e oito anos, perto da quadratura de Netuno e da oposição de Urano, o que faz desta a faixa com a meia-idade mais carregada das doze. Maturidade, aqui, pode ser distinguir a exigência que constrói a relação da que a mede o tempo todo: continuar exigindo igualdade, e passar a dizer antes. É esse dizer que pode transformar disputa em acordo. Cada mapa tem o seu tempo para esse arco.
Para ler Plutão no seu mapa, a casa é a peça que importa, porque ela depende da hora exata e milhões de pessoas da mesma faixa dividem o mesmo signo. Nesta posição, na casa 7 ela pode aparecer em relacionamentos que foram todos transformadores; na casa 10, em quem refez uma sociedade profissional por inteiro; na casa 4, em quem refez a própria família de forma radical; na casa 8, na marca de um acordo financeiro que mudou tudo. A série Plutão nas 12 casas é onde esta leitura fica sua. E há Saturno, o contrapeso de Plutão: um constrói devagar o que o outro derruba de uma vez, e ler os dois juntos ajuda a separar uma crise que refaz de uma que só destrói. Vale ver também Urano e Netuno nos 12 signos, os outros dois planetas da sua geração, e O Sol nos 12 signos, que a data torna seu de verdade.
A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a experiência. Ela descreve tendências e não faz previsão, nem ocupa o lugar do seu trabalho e das suas decisões.
Se você quiser fazer essa investigação no seu próprio desenho, o Mapa do amor olha para o jeito como você se vincula e para o que você precisa dizer antes. E a Sinastria amorosa: compatibilidade do casal põe dois mapas lado a lado, para ver onde o acordo flui e onde ele pede conversa.
A pergunta que fica é: o que você ainda espera que alguém ao seu lado adivinhe, e que poderia ser dito no começo?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre Plutão em Libra:
Como eu descubro em que signo está o meu Plutão? Pela data: Plutão fica de doze a trinta e um anos em cada signo, dependendo de onde está na órbita. As datas desta série marcam a passagem contínua; nas viradas ele entra, retrograda e entra outra vez, e esse vaivém dura meses, então quem nasceu perto de uma delas precisa do mapa calculado. Sozinho, o signo diz pouco: o pessoal está na casa.
Plutão retrógrado no mapa de nascimento é ruim? Não. Quase metade dos nascimentos tem Plutão assim, uma condição de rotina. O que pode mudar é onde a transformação começa: em vez de vir de um evento externo, ela tende a começar por dentro, e muitas vezes você muda de ideia sobre a própria vida antes de qualquer coisa mudar nela.
Plutão em Libra quer dizer que eu vou me separar? Não, e nenhuma posição do mapa anuncia evento, e por isso esta leitura não afirma nada desse tipo. O que a faixa descreve é uma geração que refez o que se espera de uma relação, e doze anos de gente dividem isso, incluindo casamentos longos e felizes. O que é seu está na casa em que ele caiu.
Por que a minha meia-idade parece mais pesada que a dos outros? Porque para a sua faixa três relógios caem quase juntos: a quadratura de Plutão por volta dos 36, a de Netuno por volta dos 41 e a oposição de Urano por volta dos 42. É a única geração das doze em que os três se acumulam num intervalo tão curto, e isso vem da conta astronômica.
Plutão ainda é planeta? Para a astronomia, desde 2006 ele é planeta anão. Para a astrologia, a mudança de classificação não altera nada: o que se lê é a posição de um corpo no céu, e ela continua lá, com o mesmo tempo de órbita e o mesmo lugar no mapa. É uma pergunta justa, e a resposta é que as duas disciplinas medem coisas diferentes.
Por que este signo diz tão pouco sobre mim? Porque ele é da sua geração inteira. Plutão leva de doze a trinta e um anos em cada signo, então o texto descreve um clima que dezenas de milhões de pessoas dividem com você. A parte pessoal é a casa em que ele caiu, que depende da hora do seu nascimento, e o jeito como ele conversa com o Sol, a Lua e o Ascendente. Prometer mais que isso seria prometer o que o signo não tem.
Em resumo, Plutão em Libra pode ser lido como a marca da geração de 1972 a 1984, que trocou o contrato herdado pelo acordo negociado e passou a cobrar igualdade dentro de casa. A meia-idade dela junta três relógios, e a casa mostra em que área o acordo pede para ser dito antes.
Palavras-chave relação, igualdade, acordo, dependência
Este dá para saber pela data, quase sempre: Plutão fica de doze a trinta e um anos em cada signo, por causa da órbita alongada. Quem nasceu perto de uma troca de signo, ou num período em que o planeta retrograda e volta ao signo anterior, só tem certeza calculando o mapa com data, hora e cidade. Dá para calcular de graça aqui.
