
O aspeto entre Júpiter e Plutão pode ser lido como as fases em que o poder muda de escala, e em que uma geração aprende a pensar em grande. Na astrologia, Júpiter está associado à ampliação, à abundância e à confiança. Plutão, por sua vez, é relacionado com o poder, com o que fica escondido e com o que precisa de ser desmontado para se refazer. Quando interpretamos o aspeto entre os dois, aproximamos esses campos: a fortuna que se acumula, a influência que passa de grande a enorme, o império que se forma. Como os dois são lentos, essa escala é da sua turma, e o que é só seu aparece na casa em que ela cai.
Um aspeto é a distância entre duas peças do mapa, medida em graus, e é ela que indica se as duas trabalham em conjunto, se se ignoram ou se entram em conflito. As séries anteriores deste blogue descrevem cada peça sozinha; esta olha para o que acontece entre duas delas. São cinco as distâncias que a tradição chama aspetos maiores: a conjunção (0°), o sextil (60°), a quadratura (90°), o trígono (120°) e a oposição (180°). Cada uma põe duas peças em contacto de um modo próprio, e nenhuma delas é boa ou má em si: cada uma cobra alguma coisa e entrega outra.
Há também o orbe, o número que quase nenhum texto diz. Duas peças a 90° exatos formam uma quadratura; a 97°, não formam nada. Este blogue usa 6 graus de orbe para os aspetos maiores, e fora disso são duas peças no mesmo mapa, o que é outra coisa. Por isso um aspeto não se descobre pela data: precisa do mapa calculado. E o aspeto vem por último na ordem de leitura, porque descreve a relação entre duas peças, e é difícil ler uma relação sem conhecer as duas.
Na mitologia, os dois também são irmãos. Quando Zeus, Poseidon e Hades dividiram o mundo, a Hades coube o reino debaixo da terra, e os romanos chamaram-lhe Plutão. O nome grego Plouton está ligado a ploutos, a riqueza, porque é debaixo da terra que ficam os metais e é lá que a semente passa o inverno antes de se tornar colheita. O par junta, então, o rei do céu aberto e o senhor das riquezas escondidas. Plutão foi encontrado em 1930 por Clyde Tombaugh, no Observatório Lowell, e reclassificado como planeta anão em 2006; a astrologia continua a lê-lo como antes. O ciclo entre os dois dura cerca de treze anos, e a conjunção mais recente aconteceu ao longo de 2020, em Capricórnio.
O glifo de Plutão, ♇, junta as letras P e L, iniciais de Plutão e de Percival Lowell, o astrónomo que procurou o planeta; há uma segunda forma, mais usada pelos astrólogos, com um círculo pairando sobre um crescente e uma cruz. O de Júpiter, ♃, costuma ser lido como o crescente erguido acima da cruz. Plutão rege Escorpião na astrologia moderna, signo de água e fixo, o que guarda e aprofunda; Júpiter rege Sagitário, de fogo e mutável, o que espalha e expande. Os dois signos são vizinhos no zodíaco, e um começa onde o outro termina. Na geometria dos aspetos, o trígono liga signos do mesmo elemento, a quadratura liga signos da mesma modalidade que puxam para lados diferentes, e a oposição coloca frente a frente dois signos complementares.
A conjunção junta ampliação e poder, e abre uma fase em que a escala do que existe cresce de vez. Costumam ser períodos de concentração de capital, de tecnologia e de influência. Uma maneira de ler as gerações nascidas neles é pensar numa ambição de grande tamanho que não estranha a si mesma. O custo possível é a própria concentração: o que cresce muito costuma crescer sobre alguma coisa. Para si, o alerta é o mesmo em escala menor, e depende da casa.
O sextil e o trígono costumam ser lidos como poder que constrói: a escala cresce e alguma coisa fica de pé. São fases de grandes obras que duram, como infraestrutura, instituição e empresa que sobrevive a quem a fundou, e as gerações nascidas nelas podem ser boas a pensar em escala sem se perderem. O custo é o pouco exame do próprio poder. Quem sempre soube crescer talvez não tenha parado para olhar o efeito do próprio tamanho sobre quem está por perto.
A quadratura e a oposição põem o crescimento contra o poder, e é dessa disputa que costuma sair o limite que alguém impõe ao que cresceu demais. São fases de conflito por controlo: disputa por recursos, concentração que provoca reação, regulação que chega atrasada. As gerações nascidas nelas costumam ter uma relação atenta com o poder, em qualquer escala. O remédio coletivo costuma vir de fora, na regra que alguém impõe; o individual vem de dentro, na pergunta sobre para que serve o tamanho que se está a procurar.
Que pergunta humana mora neste par? Talvez esta: quanto é o bastante? Epicuro, nas Máximas Principais, separou duas riquezas: "A riqueza natural é limitada e fácil de obter; a que nasce das opiniões vãs não tem limite." Pensada a partir de Júpiter e Plutão, a frase ajuda a distinguir o crescimento que atende a uma necessidade daquele que se alimenta de si mesmo. Chuang Tzu, o sábio taoísta, deixou uma imagem que serve de aviso a quem cresce: "A árvore da montanha atrai sobre si mesma o machado." A árvore mais alta é a primeira a ser vista e a primeira a ser cortada, e o tamanho traz consigo uma exposição que nem sempre se escolhe.
Existe, porém, uma tensão nesta relação. Se a nossa geração aprendeu a pensar em grande, conseguimos ainda perceber o que o nosso tamanho custa a quem está perto? Se crescemos a ver a concentração de perto, conseguimos querer crescer sem culpa? E quando procuramos mais, sabemos dizer para quê?
Os sinais deste par valem para qualquer um dos cinco aspetos, porque o assunto é o mesmo e o que muda é o atrito. Marca as fases de concentração de capital e de influência, produz ambição de grande tamanho como coisa normal, provoca reação e regulação quando cresce demais e volta a cada treze anos. Repare no que esses sinais deixam de fora: não dizem que é de uma geração ambiciosa ou de uma geração gananciosa, dois rótulos que este par carrega e que descrevem o extremo. Dizem que a sua turma entrou numa certa fase da escala, e o que é seu é onde isso caiu no mapa.
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Para que veio: a missão de vida que o seu mapa mostra e o caminho que dá sentido à sua vida.
Há uma inversão que vale para todos os pares: o que corre sem atrito nunca foi testado, e o que incomoda costuma ser o que produz. O trígono entre Júpiter e Plutão entrega o resultado sem esforço, e por isso o músculo pode ficar sem treino, coisa que só se descobre no dia em que a facilidade não basta. A quadratura entrega o contrário: uma geração que viu a concentração de perto e que, por isso, desconfia dela. Neste par a inversão é a mais política dos dez, porque o que está em jogo é quem decide o tamanho que uma coisa pode ter.
No Método Shelly, cada arquétipo é lido por quatro faces: a luz, a sombra, o excesso e a deficiência. Num aspeto, costumam distribuir-se entre as duas peças. Quase sempre uma delas está em excesso e a outra em deficiência, e a correção vem pelo lado mais fraco. Com Júpiter em excesso, a vontade de crescer pode perder a medida; com Plutão em excesso, o controlo pode tomar o lugar do propósito. Em vez de afirmar que alguém é ambicioso ou ganancioso, podemos investigar qual das duas peças está a pedir mais espaço no seu desenho.
Este aspeto amadurece em ciclos de treze anos, e não em anos de vida. Quando o par está em destaque num mapa, as mudanças de escala da própria vida costumam acontecer nos anos em que o ciclo se refaz no céu. A maturidade aqui pode ser lida como perguntar para que serve o tamanho que se procura, antes de o procurar. Nenhum texto honesto dá uma idade exata para isso: o arco depende do mapa inteiro.
Júpiter fica cerca de um ano em cada signo e Plutão, de onze a trinta e um, e o ciclo entre os dois é de cerca de treze anos. Como Plutão é o mais lento, quem decide a fase é a posição de Júpiter, que muda de signo uma vez por ano. Nenhum dos dois é pessoal, e por isso o aspeto é o mesmo para todas as pessoas nascidas numa faixa de meses. Aqui essa ressalva pesa mais do que em qualquer outro par da série, porque o par convida à leitura mais tentadora e mais falsa: a de que ter o aspeto no mapa promete riqueza. Milhões de pessoas nascidas no mesmo período têm exatamente o mesmo aspeto.
Para ler este aspeto no seu mapa, o caminho passa pelo que é só seu: em que casas os dois estão, e que aspetos fazem com o seu Sol, a sua Lua, o seu Mercúrio, a sua Vénus e o seu Marte. É por aí que um aspeto de geração se torna biografia, e é a única parte desta página que depende da sua hora e da sua cidade. Uma conjunção de Júpiter e Plutão na casa 2 pode ser lida como uma relação com o dinheiro que quer escala; a mesma conjunção na casa 12, como um poder que talvez prefira que não apareça. Antes desta leitura vale a pena passar por Júpiter nos 12 signos e Plutão nos 12 signos, que descrevem cada peça sozinha.
Estas questões não significam que todas as pessoas nascidas numa conjunção de Júpiter e Plutão vivam tais experiências. Um aspeto, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém, e nada disto é previsão. A astrologia oferece tendência e vocabulário para pensar o que já se vive; não substitui o seu trabalho nem as suas decisões.
Se quiser olhar para o seu próprio desenho com estas perguntas, a leitura Mapa financeiro acompanha a casa 2, a casa 8 e os planetas que falam de recursos no seu mapa. A leitura Mapa das sombras olha para Plutão e para o poder que costuma ficar escondido, que é onde este par tem mais a dizer sobre si.
A pergunta que fica é: para que serve o tamanho que está a procurar?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o aspeto entre Júpiter e Plutão:
Como eu descubro se tenho esse aspeto no mapa? Só com o mapa calculado. Um aspeto é uma distância em graus, e o grau não se estima pela data: as duas peças precisam de estar a menos de 6 graus da distância exata para o aspeto existir. É diferente do signo, que a data entrega, e é por isso que esta série pede o mapa antes de qualquer leitura.
Aspeto tenso é ruim e aspeto fácil é bom? Essa é uma leitura que este blogue evita em todas as páginas. O aspeto fácil corre sem atrito e por isso nunca foi testado: o músculo pode ficar sem treino, e isso nota-se no dia em que a facilidade não basta. O tenso incomoda, e o incómodo costuma produzir. As biografias que valem a pena ler costumam ser cheias de quadraturas.
Júpiter com Plutão significa que vou ficar rico? Não. É a leitura mais tentadora e mais falsa da série: milhões de pessoas nascidas no mesmo período têm exatamente o mesmo aspeto. Ele descreve uma fase de concentração de escala no mundo, e não uma promessa individual.
Então o que é meu neste par? A casa em que os dois caíram, e os aspetos que fazem com o seu Sol, a sua Lua, o seu Mercúrio, a sua Vénus e o seu Marte. É por aí que um aspeto de geração se torna biografia, e é a única parte que depende da sua hora e da sua cidade.
O que vem antes: o aspeto ou o planeta no signo? O planeta, sempre. Um aspeto descreve a relação entre duas peças, e é difícil ler a relação sem conhecer as duas. Se chegou aqui diretamente, vale a pena voltar às séries de cada peça no signo e na casa e só depois ler esta: a leitura fica outra.
Aspeto que não é exato ainda conta? Conta, e é mais fraco quanto mais longe do grau exato. Um aspeto com 1 grau de diferença é uma peça central do mapa; com 5 graus e meio, é um traço a mais. É por isso que a diferença entre um mapa calculado e um mapa estimado aparece aqui antes de aparecer em qualquer outro lugar.
Em resumo, o aspeto entre Júpiter e Plutão pode ser lido como a fase da escala em que a sua geração nasceu, com o crescimento e o poder a pedir a mesma pergunta: para quê. O que é seu está na casa em que os dois caíram e nos contactos que fazem com as suas peças pessoais.
Palavras-chave geração, poder, ambição, escala
Isto aqui não dá para descobrir pela data nem pelo signo: as doze casas são contadas a partir do Ascendente, e o Ascendente muda a cada duas horas, aproximadamente, e depende da CIDADE onde nasceu. Sem hora e local não existe casa nenhuma, nem aproximada. Dá para calcular de graça aqui.
