
Plutão é onde a sua vida não volta ao que era. É a área em que a crise não devolve o que levou, em que o poder aparece, o seu e o dos outros, e em que a reconstrução é a única saída, porque o caminho de volta deixou de existir. E é, pelo mesmo motivo, a área da sua vida que mais mudou entre os vinte e os quarenta.
Antes de qualquer descrição, a mesma ressalva das outras duas séries geracionais, e aqui ela é a mais forte de todas: o signo de Plutão não é seu. É da sua geração. Ele fica de doze a trinta e um anos em cada signo, e essa variação não é erro de arredondar, é a órbita dele, que é a mais excêntrica dos nove corpos que este blog lê.
A consequência é dura e é honesta: sozinho, o signo de Plutão não a descreve. Ele descreve o que a sua geração inteira teve que refazer, e é uma leitura de história, não de personalidade. O que individualiza é a casa em que ele caiu, que depende da hora exata de nascimento, e a conversa dele com o resto do mapa.
E há um relógio aqui, mas ele é diferente dos outros dois: a quadratura de Plutão não tem idade fixa. Em Urano a oposição cai perto dos 42 e em Neptuno a quadratura perto dos 41, para qualquer geração. Em Plutão ela varia de 36 a mais de 80 anos conforme o signo em que ele estava quando nasceu, e essa é a informação que os textos desta série trazem, porque nenhum número único seria verdade.
Ter Plutão em Leão significa que a sua geração virou do avesso o poder do indivíduo. Leão é fogo fixo, regido pelo Sol, a autoria, o brilho, o direito de aparecer. Plutão ali concentra poder na pessoa: é a combinação em que o indivíduo passa a ser, ele mesmo, a unidade que importa.
Quem nasceu entre 1939 e 1958 é a geração mais numerosa que já existiu, e a primeira a crescer com a ideia de que a própria vida era um projeto pessoal. Derrubou instituição e reescreveu o que uma pessoa pode querer, e fez isso pelo peso do número.
E aqui está o que quase nenhum texto escreve: esta é a posição que colocou o indivíduo no centro, e o mundo ainda está a lidar com isso. Plutão em Leão deu a uma faixa enorme a convicção de que cada um tem direito à própria vida, e essa convicção derrubou mais estrutura do que qualquer revolução do século. O custo veio junto: uma geração que teve dificuldade real em aceitar limite, inclusive o do tempo.
Vale repetir a ressalva desta série antes de seguir, porque a faixa aqui é a mais larga das três: este signo é da sua geração, e não seu. Plutão passou por Leão de junho de 1939 a junho de 1958, dezenove anos, e é a faixa que hoje está entre os sessenta e sete e os oitenta e seis. O que está descrito acima é o que essa faixa inteira teve que refazer. O que faz disso a sua história é a casa em que Plutão caiu. Na casa 5 isso vira alguém que criou coisa que mudou a vida de muita gente; na casa 1, alguém cuja presença ocupa o ambiente inteiro.
Ele aparece no tamanho do espaço que essa geração acha natural ocupar. São sinais concretos, do tipo que se reconhece na própria semana:
- trata a própria vida como projeto, e não como destino
- não aceita limite que não tenha explicação
- confunde ser importante com ter razão
- refez a própria vida depois dos cinquenta, e mais de uma vez
- tem relação intensa com os filhos e com o que criou
- ocupa espaço sem perceber que ocupou
Repare no que essa lista não diz. Ela não diz que a pessoa é arrogante nem egocêntrica, dois rótulos que esta posição carrega e que descrevem o excesso, não a posição. Diz que essa geração pôs o indivíduo no centro e mudou tudo a partir daí.
A força é a convicção pessoal: essa geração acredita que uma pessoa muda as coisas. E ela tem razão empírica: mudou. Direito civil, direito da mulher, costume, arte, trabalho, quase tudo o que se considera avanço no último meio século saiu dessa faixa a acreditar que dava.
Na prática isso vira três coisas úteis: uma coragem de ir contra o consenso que quase nenhuma geração teve; uma generosidade em criar e em liderar; e uma vitalidade que costuma durar bem mais que a dos pais dela.
Essa força rende melhor em criação, liderança, ensino, política, arte e qualquer arranjo em que assinar o que faz seja parte do trabalho. E rende mal em ambiente que exige apagamento, arranjo sem nenhum reconhecimento e em qualquer lugar em que a hierarquia não se explique.
São dois, e são opostos: o excesso é a convicção virar a certeza de estar sempre certa, e a deficiência é quem entregou o próprio poder para não ter que usá-lo. O Método Shelly lê todo arquétipo por quatro faces, a luz, a sombra, o excesso e a deficiência, e em Plutão elas fazem uma coisa que em nenhum outro planeta acontece: as duas alternam-se na mesma pessoa. Controlar tudo e não conseguir mexer em nada são a mesma dificuldade em dois tempos, e quem viveu uma costuma ter vivido a outra.
O excesso é achar que o próprio julgamento vale mais: a pessoa decide pelos outros, ocupa o espaço todo e não percebe. Também aparece como dificuldade em envelhecer, em aceitar que a vez agora é de outra pessoa.
A deficiência é o oposto e passa por leveza: a pessoa entregou o controle da própria vida e chama isso de aceitação. Aqui ela é a pessoa que nunca ocupou o próprio lugar. Ficou na sombra de alguém da mesma geração, não criou, não assinou, e passou a vida com a sensação de que a vida dela aconteceu com os outros.
As duas faces têm a mesma matéria-prima, e por isso o conserto é o mesmo: um poder pessoal que precisa de sucessão, e não de menos convicção. Não se resolve pedindo humildade, a humildade forçada vira a segunda face. Resolve-se pela passagem: alguém mais novo formado de propósito, com nome e com lugar, enquanto a pessoa ainda está no auge, e é isso que a casa de Plutão e o resto do mapa mostram.
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As partes de si que esconde ou evita, e como podem tornar-se a sua maior força.
Ele amadurece quando o poder passa a ser passado adiante, e isso vale mais que qualquer tentativa de aprender a se conter. A convicção continua a ser o talento; o que muda é ela deixar de precisar do lugar de toda a gente.
E aqui existe um relógio, e ele é diferente do de Urano e do de Neptuno: a quadratura de Plutão não tem idade fixa. É quando ele chega a noventa graus do ponto que ocupava no seu nascimento, um quarto da volta, e como a órbita dele é excêntrica, a idade em que isso acontece muda de geração para geração. Essa geração viveu-a entre os trinta e oito e os quarenta e cinco anos, junto com a oposição de Urano, e é por isso que a crise da meia-idade dela virou assunto de cinema e de livro.
Vale insistir porque quase todo texto por aí erra: não existe uma idade só para a quadratura de Plutão. Ela cai perto dos 36 em Virgem e em Balança, e depois dos 70 em Aquário. Número único aqui é cópia de Urano.
Maturidade aqui não é diminuir. É a pessoa distinguir o lugar que é dela do lugar que ela ocupou porque estava vazio. O Plutão em Leão maduro continua a criar, e passa a abrir espaço, e é esse espaço que transforma domínio em legado.
Nenhum texto honesto dá uma idade exata para isso: o arco depende do mapa inteiro.
Ele diz o que a sua geração teve que refazer, e não quem é. É a diferença mais importante desta série inteira: um texto que descrevesse esta posição como traço pessoal estaria a vender como seu um clima que uma faixa inteira de gente partilha.
E ele é a peça MENOS pessoal do seu mapa: dezenas de milhões de pessoas nascidas na mesma faixa que o leitor têm este mesmo Plutão. Quem individualiza é a casa, que depende da hora exata: Plutão em Leão na casa 10 vira alguém cuja carreira mudou uma área inteira; na casa 7, alguém cujas relações são todas intensas e definitivas. Veja a série Plutão nas 12 casas, que é onde esta leitura vira sua.
E há Saturno, que é o contrapeso exato de Plutão: um constrói devagar o que o outro derruba de uma vez. Ler os dois juntos é o que separa uma crise que refaz de uma que só destrói. Veja também Urano e Neptuno nos 12 signos, que são os outros dois planetas da sua geração, e O Sol nos 12 signos, que a data torna seu de verdade.
Um limite dito em voz alta, porque também é parte de ler com seriedade: nada disso é previsão. A astrologia descreve tendência e dá vocabulário para o que a pessoa já vive, não substitui trabalho nem decisão sua.
E as perguntas que mais chegam sobre este assunto, com a resposta curta:
Como eu descubro em que signo está o meu Plutão? Pela data: Plutão fica de doze a trinta e um anos em cada signo, dependendo de onde está na órbita. As datas aqui marcam a passagem contínua, nas viradas ele entra, retrograda e entra outra vez, e o vaivém dura meses, então quem nasceu perto de uma delas precisa do mapa calculado. Sozinha, ela diz pouco: o pessoal está na casa.
Plutão retrógrado no mapa de nascimento é ruim? Não, e quase metade dos nascimentos tem Plutão assim, é praticamente uma condição de rotina, e não uma exceção. O que muda é onde a transformação acontece primeiro: em vez de vir de um acontecimento externo, começa por dentro, e a pessoa costuma mudar de ideia sobre a própria vida antes de qualquer coisa mudar nela.
Plutão em Leão quer dizer que eu sou egocêntrica? Quer dizer que a GERAÇÃO inteira pôs o indivíduo no centro, e isso é história, não caráter. Dezanove anos de gente partilham este Plutão, incluindo quem passou a vida a servir os outros. A parte que é sua está na casa em que ele caiu, e ela depende da hora exata do seu nascimento.
Por que essa geração mudou tanta coisa? Por duas razões que chegaram juntas: ela é a mais numerosa que já existiu, e Plutão em Leão distribuiu a convicção de que uma pessoa tem direito à própria vida. Número mais convicção derruba instituição, e foi o que aconteceu, em quase todo país ao mesmo tempo, entre os anos sessenta e oitenta.
Plutão ainda é planeta? Para a astronomia, não desde 2006: é planeta anão. Para a astrologia, a mudança de classificação não altera nada, o que se lê é a posição de um corpo no céu, e ela continua lá, com o mesmo tempo de órbita e o mesmo lugar no mapa. É uma pergunta honesta, e a resposta é que as duas disciplinas estão a medir coisas diferentes.
Por que este signo diz tão pouco sobre mim? Porque ele é da sua geração inteira, e essa é a resposta honesta. Plutão leva de doze a trinta e um anos em cada signo, então este texto descreve um clima que dezenas de milhões de pessoas partilham consigo. A parte pessoal é a CASA em que ele caiu, que depende da hora do seu nascimento, e o modo como ele conversa com o Sol, a Lua e o Ascendente. Um texto que prometesse mais que isso estaria a vender o que não tem.
Em resumo, esta posição lê-se assim:
Palavras-chave poder, autoria, geração, arrogância
Isto aqui não dá para descobrir pela data: a Lua muda de signo a cada dois dias e meio, mais ou menos. Duas pessoas nascidas no mesmo dia podem ter Luas diferentes, depende da HORA. Sem hora de nascimento não há Lua, e é por isso que o mapa pede data, hora e cidade. Dá para calcular de graça aqui.
