
Plutão é onde a sua vida não volta ao que era. É a área em que a crise não devolve o que levou, em que o poder aparece, o seu e o dos outros, e em que a reconstrução é a única saída, porque o caminho de volta deixou de existir. E é, pelo mesmo motivo, a área da sua vida que mais mudou entre os vinte e os quarenta.
Antes de qualquer descrição, a mesma ressalva das outras duas séries geracionais, e aqui ela é a mais forte de todas: o signo de Plutão não é seu. É da sua geração. Ele fica de doze a trinta e um anos em cada signo, e essa variação não é erro de arredondar, é a órbita dele, que é a mais excêntrica dos nove corpos que este blog lê.
A consequência é dura e é honesta: sozinho, o signo de Plutão não a descreve. Ele descreve o que a sua geração inteira teve que refazer, e é uma leitura de história, não de personalidade. O que individualiza é a casa em que ele caiu, que depende da hora exata de nascimento, e a conversa dele com o resto do mapa.
E há um relógio aqui, mas ele é diferente dos outros dois: a quadratura de Plutão não tem idade fixa. Em Urano a oposição cai perto dos 42 e em Neptuno a quadratura perto dos 41, para qualquer geração. Em Plutão ela varia de 36 a mais de 80 anos conforme o signo em que ele estava quando nasceu, e essa é a informação que os textos desta série trazem, porque nenhum número único seria verdade.
Ter Plutão em Gémeos significou que aquela geração refez o poder da informação. Gémeos é ar mutável, regido por Mercúrio, a fala, a notícia, a técnica, a troca. Plutão ali concentra poder na palavra: é a combinação em que informação deixa de ser assunto e vira instrumento.
Quem nasceu entre 1884 e 1914 viu o telefone, o rádio, o automóvel e o avião chegarem numa vida só, e viu a primeira guerra ser vencida também por propaganda. Foi a geração que descobriu, na prática, que quem controla a informação controla o resto.
E aqui está o que quase nenhum texto escreve: esta é a posição que descobriu que informação é poder, e pagou por essa descoberta. A mesma faixa que criou o jornalismo moderno criou a máquina de propaganda que a levou para a guerra. As duas coisas nasceram juntas e da mesma matéria, e é essa dupla que Plutão em Gémeos deixou para as gerações seguintes.
Vale repetir a ressalva desta série antes de seguir, porque a faixa aqui é a mais larga das três: este signo é da sua geração, e não seu. Plutão passou por Gémeos de abril de 1884 a maio de 1914, trinta anos, e a pessoa mais nova com este Plutão nasceu há mais de cento e dez. O que está descrito acima é o que essa faixa inteira teve que refazer. O que faz disso a sua história é a casa em que Plutão caiu. Na casa 3 isso virava alguém cuja palavra tinha peso incomum; na casa 9, alguém que levava uma ideia para longe e mudava um lugar com ela.
Ele aparecia na distância entre o que aquela geração sabia e o que lhe contavam. São sinais concretos, do tipo que se reconhece na própria semana:
- viu a técnica de comunicação mudar tudo em uma vida
- aprendeu que quem conta a história decide o que aconteceu
- confundia saber com poder
- desconfiava do que estava impresso, e com razão
- tinha uma relação intensa com irmãos e com vizinhos
- refez o próprio ofício mais de uma vez
Repare no que essa lista não diz. Ela não diz que a pessoa é manipuladora nem desconfiada demais, dois rótulos que esta posição carrega e que descrevem o excesso, não a posição. Diz que aquela geração descobriu que a informação move mais que a força.
A força era a inteligência prática: aquela geração aprendeu técnica nova a vida inteira. Quem nasceu com carroça e morreu com televisão precisou reaprender o mundo três ou quatro vezes, e essa capacidade de reaprender é o que essa faixa deixou como exemplo.
Na prática isso vira três coisas úteis: uma agilidade para aprender técnica que a idade não tirava; uma perceção afiada de quem estava a tentar convencer; e uma habilidade real com a palavra, escrita e falada.
Essa força rende melhor em comunicação, ensino, técnica, comércio e qualquer arranjo em que entender rápido seja a vantagem. E rende mal em ambiente que exigia repetir o mesmo por décadas e em qualquer lugar em que perguntar fosse perigoso.
São dois, e são opostos: o excesso é a palavra virar arma, e a deficiência é quem entregou o próprio poder para não ter que usá-lo. O Método Shelly lê todo arquétipo por quatro faces, a luz, a sombra, o excesso e a deficiência, e em Plutão elas fazem uma coisa que em nenhum outro planeta acontece: as duas alternam-se na mesma pessoa. Controlar tudo e não conseguir mexer em nada são a mesma dificuldade em dois tempos, e quem viveu uma costuma ter vivido a outra.
O excesso era usar o que se sabe para dominar: a pessoa contava a versão que servia, e descobria que funcionava. Numa escala pequena isso é fofoca; na escala daquela geração, foi propaganda de guerra.
A deficiência é o oposto e passa por leveza: a pessoa entregou o controle da própria vida e chama isso de aceitação. E o oposto apareceu na mesma faixa: quem deixou de acreditar em qualquer coisa dita. Depois de 1914, muita gente desligou a própria capacidade de se informar e passou a tratar toda notícia como mentira, o que também é uma forma de ficar sem poder nenhum.
As duas faces têm a mesma matéria-prima, e por isso o conserto é o mesmo: uma palavra que precisa de fonte e de destinatário, e não de menos curiosidade. Não se resolvia desconfiando de tudo, a desconfiança total é a segunda face. Resolvia-se do mesmo jeito que hoje: perguntando quem contou, e o que essa pessoa ganhava a contar, e é isso que a casa de Plutão e o resto do mapa mostram.
Mapa das sombras · R$ 79,90
As partes de si que esconde ou evita, e como podem tornar-se a sua maior força.
Ele amadurecia quando a informação virava conhecimento com fonte, e isso valia mais que qualquer tentativa de saber menos. A agilidade continuava sendo o talento; o que mudava é ela deixar de servir a quem quisesse usá-la.
E aqui existe um relógio, e ele é diferente do de Urano e do de Neptuno: a quadratura de Plutão não tem idade fixa. É quando ele chega a noventa graus do ponto que ocupava no seu nascimento, um quarto da volta, e como a órbita dele é excêntrica, a idade em que isso acontece muda de geração para geração. Aquela geração a viveu entre os cinquenta e nove e os setenta e quatro anos, e ela caiu, para a maioria, junto com a segunda guerra e o que veio depois.
Vale insistir porque quase todo texto por aí erra: não existe uma idade só para a quadratura de Plutão. Ela cai perto dos 36 em Virgem e em Balança, e depois dos 70 em Aquário. Número único aqui é cópia de Urano.
Maturidade ali era distinguir o que a pessoa sabia do que lhe tinham contado. O Plutão em Gémeos maduro continuava curioso, e passava a perguntar a fonte, e é essa pergunta que transforma informação em conhecimento.
Nenhum texto honesto dá uma idade exata para isso: o arco depende do mapa inteiro.
Ele diz o que a sua geração teve que refazer, e não quem é. É a diferença mais importante desta série inteira: um texto que descrevesse esta posição como traço pessoal estaria a vender como seu um clima que uma faixa inteira de gente partilha.
E ele é a peça MENOS pessoal do seu mapa: dezenas de milhões de pessoas nascidas na mesma faixa que o leitor têm este mesmo Plutão. Quem individualiza é a casa, que depende da hora exata: Plutão em Gémeos na casa 10 virava alguém cuja carreira dependia de convencer; na casa 6, alguém que refez a técnica do próprio ofício. Veja a série Plutão nas 12 casas, que é onde esta leitura vira sua.
E há Saturno, que é o contrapeso exato de Plutão: um constrói devagar o que o outro derruba de uma vez. Ler os dois juntos é o que separa uma crise que refaz de uma que só destrói. Veja também Urano e Neptuno nos 12 signos, que são os outros dois planetas da sua geração, e O Sol nos 12 signos, que a data torna seu de verdade.
Um limite dito em voz alta, porque também é parte de ler com seriedade: nada disso é previsão. A astrologia descreve tendência e dá vocabulário para o que a pessoa já vive, não substitui trabalho nem decisão sua.
E as perguntas que mais chegam sobre este assunto, com a resposta curta:
Como eu descubro em que signo está o meu Plutão? Pela data: Plutão fica de doze a trinta e um anos em cada signo, dependendo de onde está na órbita. As datas aqui marcam a passagem contínua, nas viradas ele entra, retrograda e entra outra vez, e o vaivém dura meses, então quem nasceu perto de uma delas precisa do mapa calculado. Sozinha, ela diz pouco: o pessoal está na casa.
Plutão retrógrado no mapa de nascimento é ruim? Não, e quase metade dos nascimentos tem Plutão assim, é praticamente uma condição de rotina, e não uma exceção. O que muda é onde a transformação acontece primeiro: em vez de vir de um acontecimento externo, começa por dentro, e a pessoa costuma mudar de ideia sobre a própria vida antes de qualquer coisa mudar nela.
Ainda existe alguém com Plutão em Gémeos? Praticamente ninguém: a faixa vai de abril de 1884 a maio de 1914, então a pessoa mais nova com este Plutão nasceu há mais de cento e dez anos. Esta página está escrita no passado, e serve a quem lê o mapa de um bisavô ou estuda a série inteira.
Por que a faixa desta página é tão larga? Porque Plutão estava longe do Sol nessa parte da órbita, e ali anda devagar: trinta anos em Gémeos, contra onze em Escorpião. Faixa larga significa mais gente a partilhar o mesmo signo, e, por isso mesmo, significa que a posição diz ainda menos sobre uma pessoa em particular.
Plutão ainda é planeta? Para a astronomia, não desde 2006: é planeta anão. Para a astrologia, a mudança de classificação não altera nada, o que se lê é a posição de um corpo no céu, e ela continua lá, com o mesmo tempo de órbita e o mesmo lugar no mapa. É uma pergunta honesta, e a resposta é que as duas disciplinas estão a medir coisas diferentes.
Por que este signo diz tão pouco sobre mim? Porque ele é da sua geração inteira, e essa é a resposta honesta. Plutão leva de doze a trinta e um anos em cada signo, então este texto descreve um clima que dezenas de milhões de pessoas partilham consigo. A parte pessoal é a CASA em que ele caiu, que depende da hora do seu nascimento, e o modo como ele conversa com o Sol, a Lua e o Ascendente. Um texto que prometesse mais que isso estaria a vender o que não tem.
Em resumo, esta posição lê-se assim:
Palavras-chave palavra, técnica, ideia, manipulação
Isto aqui não dá para descobrir pela data: a Lua muda de signo a cada dois dias e meio, mais ou menos. Duas pessoas nascidas no mesmo dia podem ter Luas diferentes, depende da HORA. Sem hora de nascimento não há Lua, e é por isso que o mapa pede data, hora e cidade. Dá para calcular de graça aqui.
