Toda noiva conhece a cena. Mal sai o pedido, alguém já pergunta a data, e a data nunca vem sozinha: não pode cair no feriado, agosto não serve porque a avó diz que dá azar, tem de ser num sábado em que a igreja e o salão estejam livres ao mesmo tempo. Uma tia sugere o aniversário de casamento dos pais. O noivo quer o 12 do 12, porque fica bonito no convite.
Com a empresa é igual. A inauguração vai para o dia 1º, para começar redondo, e o dono passa a semana anterior conferindo a previsão do tempo como se ela decidisse o futuro da loja. A loja abre numa sexta, para pegar o fim de semana. O contrato fica para depois do carnaval, porque antes ninguém responde mensagem. Escolher a data de um começo é um dos gestos mais antigos que existem, e quase ninguém faz isso ao acaso.
A astrologia tem uma técnica inteira dedicada a essa escolha, bem mais antiga que o calendário do cartório. A ideia de fundo é simples: tudo o que começa tem um céu, e o céu do instante em que algo nasce diz alguma coisa sobre o que nasceu.
Você tem um mapa astral porque nasceu num instante, num lugar. A astrologia eletiva aplica a mesma lógica a um acontecimento: o mapa do momento é o mapa de nascimento daquilo que começa. A assinatura do contrato, o sim no cartório, a porta da loja abrindo pela primeira vez.
A diferença é que, com uma pessoa, o céu vem dado. Com um acontecimento, uma parte dele se escolhe. O céu inteiro ninguém muda; o instante, sim. Entre as datas e horas que a sua vida permite, a eleição procura a que tem a estrutura que mais serve ao que você quer começar.
E cada começo pede um céu próprio. Um casamento quer uma coisa, uma cirurgia quer outra, um corte de cabelo quer uma terceira. Uma data boa para abrir uma empresa pode ser péssima para encerrar uma sociedade. Por isso a pergunta útil sempre carrega o objetivo junto: qual é o dia bom para isto, nesta cidade, neste período.
Todo começo, visto assim, ganha também uma imagem. Um negócio que nasce com o Ascendente em Touro tem a figura de quem constrói devagar e guarda; um que nasce em Gêmeos, a de quem circula e conversa. A imagem nunca promete o que vai acontecer. Ela dá ao dia escolhido um sentido que a pessoa leva consigo, e muita gente conta que foi isso que tornou a data inesquecível.
Se há um ponto que a tradição eletiva olha antes de todos, é a Lua. Ela é o astro mais rápido do céu, muda de signo a cada dois dias e meio e, nos começos, descreve como as coisas se desenrolam depois da largada. A fase importa: a Lua crescente acompanha o que você quer ver aumentar, a minguante o que você quer ver diminuir. É por isso que existe um calendário lunar para o cabelo, e é por isso que as fases da Lua são a primeira coisa que qualquer pessoa aprende sobre o assunto.
Importa também o signo em que ela está e os aspectos que ela vai fazer nas horas seguintes. Numa eleição de casamento, uma Lua que caminha para um bom aspecto com Vênus é a imagem de algo que vai ao encontro. Uma Lua que caminha para uma quadratura com Marte pede atenção, e às vezes uma hora a mais de espera resolve.
E há a Lua fora de curso. É o trecho, que pode durar minutos ou quase um dia, em que a Lua já fez o último aspecto dentro de um signo e ainda não entrou no seguinte. A tradição diz que o que começa nesse intervalo tende a não dar no que se esperava: a reunião que termina sem decisão, a compra que volta para a loja.
Para quase todo começo é um trecho a evitar. Para alguns, como uma operação feita para afastar ou encerrar alguma coisa, a mesma tradição o trata de outro jeito. Esse tipo de detalhe é o que separa uma eleição de uma tabela.
Todo mundo já ouviu que não se assina nada com Mercúrio retrógrado. A regra tem fundo: Mercúrio responde por contratos, papéis, mensagens e deslocamentos, e quando ele parece andar para trás no céu, a tradição associa o período a revisões, atrasos e coisas que precisam ser refeitas. As datas, e o que muda de fato nessas semanas, estão em Mercúrio retrógrado.
Numa eleição, ele pesa conforme o objetivo. Para assinar contrato, lançar um site ou prestar uma prova, Mercúrio retrógrado conta muito. Para um casamento, quem pesa é Vênus, e uma Vênus retrógrada no período pode tirar semanas inteiras da lista. Para uma cirurgia, contam a Lua e a região do corpo que vai ser operada.
Nenhum fator isolado decide uma data. A eleição pesa dezenas de critérios ao mesmo tempo, e um dia com um defeito pequeno e cinco qualidades fortes costuma ganhar de um dia sem defeito nenhum e sem nada a favor. É o contrário da lista de proibições que circula na internet, em que um único planeta retrógrado condena o mês inteiro.
Na prática, isso tira um peso de quem planeja. Se o seu cartório só tem vaga numa semana de Mercúrio retrógrado, a pergunta útil passa a ser «qual é a melhor hora dentro dessa semana, e o que eu faço para compensar?». Reler o contrato duas vezes, confirmar por escrito o que foi combinado de boca, chegar cedo. Cuidados simples, que valem em qualquer semana.
Todo objetivo tem uma casa no mapa. O casamento é assunto da casa 7, a das parcerias; o dinheiro, da casa 2; a abertura de um negócio que vai ao público, da casa 10. O planeta que rege o signo daquela casa, no mapa do momento, vira o significador do que está nascendo, e a eleição procura que ele esteja forte, bem colocado e livre de aspectos pesados.
Aí entra o Ascendente do instante. Ele muda de signo a cada duas horas, mais ou menos, e é ele que decide qual signo ocupa cada casa. Por isso a hora pesa tanto quanto o dia: às dez da manhã e às duas da tarde do mesmo sábado, o casamento tem dois mapas diferentes, com regentes diferentes e pontos de atenção diferentes.
Por isso a cidade também entra. O mesmo instante tem Ascendentes diferentes em São Paulo e em Lisboa, e uma eleição feita para uma cidade não serve para outra. Uma lista de datas boas para o país inteiro, por melhor que seja a intenção de quem a fez, só consegue olhar o que é igual para todo mundo, que é basicamente a Lua.
Um exemplo ajuda a ver a diferença. Duas amigas querem abrir cada uma o seu ateliê no mesmo sábado, uma em Belo Horizonte e outra em Porto Alegre. A Lua é a mesma para as duas. O Ascendente e os regentes das casas, não, e a melhor hora de uma pode ser a pior hora da outra.
A lista de começos que se elegem é longa. Pedido de namoro, noivado, cartório. Abrir empresa, lançar produto, assinar contrato, mudar de casa. Entrevista de emprego, defesa de tese, viagem, a chegada de um bicho adotado. Cortar o cabelo, fazer uma tatuagem. São mais de trezentos objetivos, e cada um tem as suas regras.
Há objetivos com critérios muito estreitos. Um talismã planetário exige o planeta forte, bem posicionado e numa hora específica, e há planetas que passam anos sem oferecer uma hora dessas; a magia astrológica conta essa história em detalhe. Na outra ponta, um corte de cabelo aceita quase qualquer semana, desde que a Lua esteja na fase certa e a hora ajude.
O que se pede para fazer uma eleição é o que a vida permite: a cidade, o período em que a data pode cair e, se quiser, os dias da semana e as horas possíveis. Quem só pode casar num sábado à tarde diz isso, e a busca respeita. Ela varre o período hora a hora e devolve as melhores opções, cada uma com o que favorece e o que pede atenção.
Se nenhuma hora do período alcançar uma boa classificação, isso é dito logo no começo, com todas as letras. Às vezes a informação mais útil de uma eleição é saber que o mês que você escolheu é fraco para aquilo.
O seu mapa tem dez pontos e doze casas, e o signo solar é um décimo disso. Data, hora e cidade de nascimento é o que separa uma tabela de um mapa.
Gerar o meu mapa de graçaUma data eleita não garante resultado. O casamento marcado no melhor céu do semestre depende do casal; a empresa aberta na hora certa depende do produto, do caixa e de muito trabalho. A data escolhe o terreno, e quem planta é você. Uma leitura honesta usa frases como «a configuração favorece» e nunca promete sucesso, lucro, gravidez ou cura.
Na saúde, a ordem vem antes de tudo: cirurgia se marca pelo médico primeiro. A eleição só compara datas que a equipe médica já ofereceu como possíveis, e cirurgia de urgência não se elege, faz-se quando precisa. Nenhum céu justifica adiar um procedimento indicado.
O mesmo vale para os prazos da Justiça, que quem define é o advogado, e para as decisões de dinheiro, em que a eleição olha o momento de uma escolha que já é sua, sem avaliar risco nem prometer retorno.
E a eleição também não esconde defeito. A melhor opção de um período quase sempre tem algum ponto fraco, e uma boa leitura o diz, com a mesma clareza com que diz o que está a favor. Quem escolhe precisa saber o que aceitou perder.
A astrologia eletiva está entre as práticas mais antigas da astrologia. Os gregos a chamavam de katarchai, os começos, e Doroteu de Sídon, que escreveu em versos no primeiro século, dedicou a ela um livro inteiro: quando construir, quando comprar, quando viajar, quando casar.
Em 762, segundo as crônicas, o califa al-Mansur pediu aos astrólogos da corte o momento de lançar a fundação de Bagdá, e Masha'allah, um dos nomes mais citados da astrologia medieval, estava entre eles. Oito séculos depois, na Inglaterra, John Dee foi consultado para indicar o dia da coroação de Elizabeth I, em janeiro de 1559.
Nenhum deles tinha computador. Calculavam à mão, com tabelas, e por isso comparavam poucas datas. Hoje dá para varrer todas as horas de um período de meses e medir cada uma contra dezenas de critérios, e o gesto continua o da noiva com o calendário na mão: olhar para o começo com cuidado, porque o começo fica.
Na próxima vez em que alguém da família perguntar a data, experimente devolver a pergunta: o que você quer que nasça naquele dia? A resposta costuma dizer mais sobre a data certa do que o calendário.
E as perguntas que mais chegam sobre este assunto, com a resposta curta:
O que é astrologia eletiva? É a técnica de escolher o momento de um começo pelo céu daquele instante, tratado como o mapa de nascimento do acontecimento. Ela compara as datas e horas possíveis para um objetivo e aponta as mais favoráveis, com o que cada uma favorece e o que pede atenção.
O que é Lua fora de curso? É o trecho em que a Lua já fez o último aspecto dentro de um signo e ainda não entrou no seguinte. A tradição diz que o que começa ali tende a não dar no que se esperava, e por isso a maior parte das eleições evita esse intervalo.
Escolher a data certa garante que vai dar certo? Não. Uma data eleita favorece o começo, e o resultado depende de tudo o que vem depois. Uma leitura honesta nunca promete sucesso, lucro, gravidez ou cura.
Por que a hora e a cidade importam na escolha da data? Porque o Ascendente muda de signo a cada duas horas, mais ou menos, e muda de cidade para cidade. É ele que distribui as casas do mapa do momento, e com elas os regentes do que está nascendo.
Em resumo:
Palavras-chave astrologia eletiva, Lua fora de curso, Mercúrio retrógrado, data de casamento, Ascendente
Se o que você quer é o seu começo escolhido assim — as horas do seu período comparadas uma a uma, as melhores opções com o que cada uma favorece e o que pede atenção —, é o que entrega a Astrologia eletiva. Ver as eleições de data