
Lilith em Sagitário pode ser lida como a recusa a ficar onde já não cabe. Na astrologia, Lilith está associada ao desejo, à recusa e ao que foi exilado para que tudo continuasse no lugar. Sagitário é tradicionalmente relacionado à busca, ao horizonte, à fé e à liberdade de pensar. Quando aproximamos os dois campos simbólicos, aparece a vontade de ir embora quando o lugar aperta (de cidade, de emprego, de relação, de igreja ou de ideia), mesmo pagando caro.
A palavra Lilith vem de longe. Ela costuma ser ligada às lilitu, figuras femininas da noite na Mesopotâmia, e aparece uma vez na Bíblia hebraica, em Isaías 34:14. A versão mais conhecida é medieval: no Alfabeto de Ben Sira, Lilith é a primeira mulher de Adão, que se recusa a ficar por baixo e vai embora do Éden. A astrologia herdou dela o desejo que não pede licença e a recusa que custa o lugar no jardim.
Nos mapas, o nome foi dado a um ponto da órbita da Lua. Essa órbita é uma elipse, com um ponto mais perto da Terra e um mais longe; o mais longe é o apogeu, que a astrologia chama de Lilith, ou Lua Negra. Não há nada ali para apontar um telescópio: é uma posição geométrica, como o Meio do Céu ou os nodos, com endereço exato no zodíaco em qualquer instante, e este site o calcula.
O glifo ⚸ desenha uma lua crescente sobre uma cruz e marca o ponto em que a Lua mais se afasta de nós, uma imagem do que ficou longe da luz de casa. Sagitário é o nono signo, de fogo e mutável: o elemento da vontade, a qualidade dos signos que preparam a passagem. O glifo ♐ é uma flecha apontada para longe, e o regente é Júpiter, planeta da expansão e da crença. A cena do mito, Lilith deixando o jardim, encontra aqui o signo das saídas, e o que foi exilado pode ser lido como o próprio direito de partir.
Kierkegaard escreveu, em O Conceito de Angústia, que "A angústia é a vertigem da liberdade." Pensada a partir de Lilith em Sagitário, a frase ajuda a entender por que a porta aberta atrai e assusta ao mesmo tempo: poder sair é também ter de escolher, a cada dia, ficar.
Jean-Paul Sartre levou a ideia adiante em O Ser e o Nada: "O homem está condenado a ser livre." Para esta posição, a frase pode soar familiar. Mesmo quem permanece está escolhendo, e talvez o que pese seja a sensação de não ter escolhido.
Alguém com essa posição pode carregar a acusação de ter abandonado quem precisava, e às vezes ela tem fundamento; pode também já ter tentado ficar por responsabilidade e ter adoecido de um jeito que os outros não entenderam. Os sinais costumam aparecer quando a saída fica fechada: largar algo bom por sentir que virou gaiola; sentir que compromisso sem prazo incomoda mais que compromisso difícil; discordar em voz alta de doutrina que todo mundo à volta aceita; precisar de horizonte, como estudo novo, viagem ou projeto que ainda não existe; ouvir que você foge, sem saber se era descrição ou julgamento. Uma leitura possível é que o ganho vem junto: você dificilmente passa a vida inteira dentro de um arranjo errado por medo do que os outros vão dizer, e essa liberdade, mesmo cara, é sua.
Existe, porém, uma tensão aqui. Se a liberdade é a nossa forma de respirar, conseguimos distinguir o lugar que nos aperta daquele que só nos pede paciência? E quando vamos embora, levamos junto a pergunta que nos fez sair?
Essas questões não significam que todo mapa com Lilith em Sagitário viva tais conflitos. Uma posição, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém; ela abre caminhos de investigação.
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As partes suas que você esconde ou evita, e como elas podem virar a sua maior força.
Para ler Lilith em Sagitário no seu mapa, o primeiro passo é saber qual Lilith está desenhada nele, porque existem duas. A Lilith média anda sempre 0,1114° por dia, nunca andou para trás em 73.001 dias e fica 269,3 dias em cada signo, sempre; a Lilith verdadeira anda de −3,59° a +6,31° por dia, anda para trás em 56% dos dias e vai e volta entre os signos. Medido dia a dia de 1930 a 2030, as duas ficam a 10,89° uma da outra em média, e chegaram a 30,25° de distância em 6 de janeiro de 2017. Elas caem em signos diferentes em 36,4% dos dias: mais de um mapa em cada três. Este site calcula a média, que é o padrão da maioria dos programas; se outro site mostrar outro signo, na maior parte das vezes ele está usando a outra Lilith.
Lilith dá a volta no zodíaco em 8,85 anos e passa 269,3 dias em cada signo; contadas as 270 passagens completas entre 1900 e 2100, o número é o mesmo nos doze signos até a primeira casa decimal. Quíron passa 8,00 anos em Áries e 1,70 em Virgem, Mercúrio corre e para, e Lilith média anda sempre no mesmo passo: é curioso que o ponto mais regular do mapa seja associado ao que não se comporta. E quem nasceu perto de você tem a mesma Lilith, uma marca de turma, mais perto de Júpiter que do Ascendente.
As datas da Lilith média, a que este site calcula, entre 1940 e 2035: Lilith passa por Sagitário de 5 de maio de 1946 a 30 de janeiro de 1947; de 11 de março de 1955 a 5 de dezembro de 1955; de 14 de janeiro de 1964 a 10 de outubro de 1964; de 19 de novembro de 1972 a 15 de agosto de 1973; de 24 de setembro de 1981 a 21 de junho de 1982; de 31 de julho de 1990 a 26 de abril de 1991; de 5 de junho de 1999 a 1º de março de 2000; de 10 de abril de 2008 a 4 de janeiro de 2009; de 13 de fevereiro de 2017 a 10 de novembro de 2017; de 20 de dezembro de 2025 a 15 de setembro de 2026; e de 25 de outubro de 2034 a 22 de julho de 2035.
As datas são em horário universal. Se você nasceu no próprio dia da mudança, a lista localiza a faixa, e a borda se decide no cálculo com a hora.
Lilith é também a peça com menos consenso do mapa, e isso pede mão leve e leitura em conjunto. Um mapa com Lilith em Sagitário e Sol em Touro pode descrever alguém que constrói uma vida sólida e precisa saber, todos os dias, que poderia sair dela. A casa de Lilith mostra a área em que essa necessidade aparece, e Júpiter, regente de Sagitário, onde você busca horizonte.
Lilith está longe de ser um retrato da sua vida sexual ou uma lista de defeitos. Ter Lilith em Sagitário não transforma ninguém em alguém infiel. Ela descreve onde você não cede, e há muita gente com esta posição que permanece trinta anos no mesmo lugar, desde que a porta esteja destrancada. E nada disto é previsão: a astrologia dá vocabulário para o que você já vive, sem determinar o que vai acontecer.
Se você quiser fazer essa investigação no seu desenho, Espiritualidade e magia olha para a fé que você escolhe em vez de herdar, e o Propósito de vida acompanha o horizonte que te move. Já a leitura Mapa das sombras olha para o que foi exilado e para a força que mora ali.
A pergunta que fica é: de onde você precisa saber que pode sair para conseguir, enfim, ficar?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre Lilith em Sagitário:
Lilith em Sagitário quer dizer que eu não consigo me comprometer? Uma leitura possível é que compromisso imposto de fora te sufoque de um modo que compromisso escolhido não sufoca. A diferença entre os dois é grande aqui, e vale separá-la antes de concluir qualquer coisa sobre você.
Por que eu brigo com o que a minha família acredita? Porque esta posição costuma marcar quem não conseguiu adotar a crença herdada sem perguntar. Em geral a discordância continua depois da juventude e vira o modo adulto de pensar.
Por que outro site mostra a minha Lilith em outro signo? Porque existem duas Liliths, a média e a verdadeira, dois jeitos de calcular o mesmo ponto da órbita da Lua. Elas caem em signos diferentes em 36,4% dos dias e chegam a ficar a 30° uma da outra. Este site calcula a média, padrão da maioria dos programas. Nenhum dos dois está errado; são contas diferentes.
Lilith é a mesma coisa que a Lua Negra? É o mesmo ponto, com dois nomes. Lua Negra é o nome mais antigo do apogeu lunar, o ponto da órbita da Lua mais distante da Terra. Existe também um asteroide chamado Lilith, que é outra coisa e quase nunca é o que os mapas mostram.
Preciso da hora de nascimento para saber a minha Lilith? Para o signo, quase nunca: ela anda pouco mais de um décimo de grau por dia, e o signo só fica em dúvida no dia exato da mudança. Para a casa, precisa, como acontece com qualquer ponto do mapa.
Lilith retrógrada existe? A média nunca retrograda: em 73.001 dias medidos, ela andou sempre para a frente. A verdadeira retrograda em 56% dos dias, mais da metade. Se o seu mapa marca Lilith retrógrada, ele está usando a verdadeira.
Em resumo, Lilith em Sagitário pode ser lida como a recusa a ficar onde já não cabe, com a liberdade como desejo e o convite a escolher, de novo, onde permanecer. A casa da sua Lilith e Júpiter mostram onde isso aparece no seu mapa.
Palavras-chave lilith, lua negra, apogeu lunar, lilith no mapa astral
Existem duas Liliths, e elas caem em signos diferentes em 36,4% dos dias. A média e a verdadeira são dois modos de calcular o mesmo ponto da órbita da Lua, e chegam a ficar a 30° uma da outra. Este site calcula a média, que é o padrão da maioria dos programas. Veja a sua de graça aqui.
Lilith nos 12 signos
O Sol nas 12 casas
O signo diz como; a casa diz onde. É a peça que mais depende da hora exata de nascimento.
Mercúrio nos 12 signos
O seu Mercúrio está no signo do seu Sol, no anterior ou no seguinte, e é ele que explica por que duas pessoas do mesmo signo pensam tão diferente.
Vênus nos 12 signos
O seu Vênus está no signo do seu Sol, nos dois anteriores ou nos dois seguintes, e é ele que explica por que duas pessoas do mesmo signo amam tão diferente.
