
O Fundo do Céu em Sagitário pode ser lido como uma raiz que vem de longe: de outra terra, de outra fé ou de outra língua, e que pede que a origem queira dizer alguma coisa. O Fundo do Céu é o grau do zodíaco que estava no ponto mais baixo do céu no instante e no lugar do seu nascimento. É um dos quatro ângulos do mapa, junto com o Ascendente, o Descendente e o Meio do Céu, e fica do outro lado da Terra, sob você. Com Sagitário ali, a casa de origem se abre para o horizonte.
A ideia de um ponto mais baixo do céu vem da astrologia helenística, que o chamava de hypogeion, o que está debaixo da terra, e o contava entre os quatro centros do mapa. Em latim ficou Imum Coeli, o fundo do céu, e os programas costumam abreviá-lo como IC. A tradição fez dele a raiz do mapa: o Meio do Céu fala do que os outros veem, o Fundo do Céu fala da família, da casa de origem e do lugar de volta. Nos textos antigos, a casa que começa ali cuidava dos pais, das terras herdadas e do fim das coisas.
Fundo do Céu em Sagitário é Meio do Céu em Gêmeos, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. A distância entre os dois é de exatamente 180 graus, sem exceção e em qualquer sistema de casas. Com o Fundo do Céu em Sagitário, o Meio do Céu está em Gêmeos, e o inverso também é verdade.
As duas pontas podem ser lidas como uma troca de escalas. Gêmeos, em cima, pede uma vida pública de troca, de comunicação, de muitas conversas ao mesmo tempo; Sagitário, embaixo, pede uma visão de conjunto, uma crença, um sentido. É como se a raiz trouxesse a grande pergunta e a vida de fora a distribuísse em mil respostas pequenas. A ponta de cima está em Meio do Céu em Gêmeos.
A dependência do relógio se explica pela conta. Os signos passam pelo fundo do céu em tempos desiguais, e esses tempos são válidos no planeta inteiro: a fórmula do meridiano usa a hora sideral e a inclinação da Terra, sem envolver a latitude. Medido com 23,4381 graus:
No fundo do céu, cada signo leva um tempo diferente: Áries, 1h51, 7,75% do dia; Touro, 1h59, 8,31%; Gêmeos, 2h08, 8,94%; Câncer, 2h08, 8,94%; Leão, 1h59, 8,31%; Virgem, 1h51, 7,75%; Libra, 1h51, 7,75%; Escorpião, 1h59, 8,31%; Sagitário, 2h08, 8,94%; Capricórnio, 2h08, 8,94%; Aquário, 1h59, 8,31%; e Peixes, 1h51, 7,75%.
O mesmo número em Belém e em Reykjavík. O Ascendente se move com a CIDADE; o Fundo do Céu, com o RELÓGIO. Dois nascimentos no mesmo instante e no mesmo meridiano, um no Pará e outro na Islândia, têm o mesmo Fundo do Céu. A lista se repete de seis em seis signos, e o Fundo do Céu reparte o tempo como o Meio do Céu. Sagitário está entre os que demoram mais ali.
Sagitário é o nono signo, de fogo e mutável. O fogo é o elemento do entusiasmo e da direção; a qualidade mutável é a dos signos que encerram uma estação e preparam a próxima, e Sagitário fecha o outono do hemisfério norte. A figura do signo é o centauro arqueiro, metade animal, metade humano, com o arco apontado para longe, e o glifo ♐ guarda só a flecha. A regência é de Júpiter, o planeta associado ao sentido, à crença e à distância. Posto no ponto da origem, esse símbolo sugere uma raiz que já aponta para fora.
Uma maneira de investigar essa combinação é pensar numa casa de origem com horizonte. Pode ter sido uma família que migrou, avós de outra terra, uma religião levada a sério, ou simplesmente gente que valorizava o estudo e a viagem acima de quase tudo. Alguém pode crescer ouvindo histórias de um país que nunca viu e, em qualquer idade, sentir que a própria casa começa em outro lugar. Hoje, isso pode aparecer na facilidade de fazer casa longe de onde nasceu.
Ortega y Gasset escreveu: "Eu sou eu e a minha circunstância, e se não a salvo, não me salvo eu." Lida a partir deste Fundo do Céu, a frase convida a pensar a origem como parte de quem somos, mesmo quando ela veio de longe. A raiz distante pode ser lida como uma circunstância a ser salva, entendida, traduzida para a vida de agora. Talvez por isso a casa, aqui, precise ter uma ideia: não basta ser confortável, ela precisa fazer sentido.
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O que você herdou da sua família, padrões, dores e talentos, e como isso aparece na sua vida hoje.
Existe uma tensão que vale examinar. Se a nossa raiz vem de longe, conseguimos criar raiz também onde estamos? Se precisamos que a casa tenha sentido, o que fazemos nos períodos em que ela é só uma casa? Schopenhauer observou que "Todo homem toma os limites do seu próprio campo de visão pelos limites do mundo." Para uma origem marcada pela distância, a frase pode ser lida nos dois sentidos: ela lembra o valor de ampliar o olhar, e lembra que mesmo a crença mais larga que herdamos tem bordas.
O signo diz o quê; o regente diz onde. Sagitário é regido por Júpiter, que organiza o sentido e a distância, e o lugar de Júpiter no seu mapa mostra por onde a sua base se apoia hoje. Júpiter na casa 2 costuma ligar a origem ao dinheiro; na casa 9, a um lugar distante; na casa 12, a uma parte da história que ficou sem nome. A regência aqui é a tradicional, a mesma da página sobre o regente do mapa, com que o motor deste site calcula a dignidade.
Em Placidus, o sistema que este site usa, o Fundo do Céu é a cúspide da casa 4 por construção. Nas casas iguais, nem sempre: a casa 4 começa a três signos do Ascendente, e o Fundo do Céu pode ficar na 3 ou na 4. Vale saber qual sistema o seu mapa usou antes de juntar as duas coisas. A casa 4 é a área da vida (família, moradia, o fim das coisas); o Fundo do Céu é o PONTO em que ela começa, o que leva o signo. A diferença está explicada em o que é uma casa astrológica.
Os ângulos do mapa são quatro e formam dois pares. O Ascendente e o Descendente compõem o horizonte, como você chega e o que chega até você. O Meio do Céu e o Fundo do Céu compõem o meridiano, o que se vê de você e de onde você veio. Todos pedem a hora exata; a cidade só pesa nos do horizonte.
O Fundo do Céu fala de um clima, e a mesma posição aparece em famílias de histórias muito diversas. Nenhuma posição do mapa anuncia uma mudança de país, e por isso esta leitura não afirma nada desse tipo. Quando a história de família pesa, o acompanhamento é de profissionais de saúde mental; a astrologia oferece um vocabulário para pensar.
Se você quiser continuar essa investigação, a Astrocartografia: onde morar mostra em quais lugares do mundo as linhas do seu mapa passam, e a leitura Mapa da ancestralidade olha o Fundo do Céu, a casa 4 e Júpiter como a história de onde você vem. Se a raiz distante for de fé, Espiritualidade e magia acompanha esse outro lado da origem.
A pergunta que fica é: de onde vem a sua raiz, e o que ela ainda quer dizer para você?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Fundo do Céu em Sagitário:
Fundo do Céu em Sagitário quer dizer que vou morar fora? Acontece com frequência, e o mapa não promete. O signo pode ser lido como uma raiz que já vem de longe, e isso se cumpre em quem muda de país, em quem muda de religião e em quem simplesmente construiu a própria base longe do bairro em que nasceu.
O Fundo do Céu é sempre o signo oposto ao Meio do Céu? Sempre, e isso é conta. O Fundo do Céu é o grau exatamente oposto ao do Meio do Céu, 180 graus, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Fundo do Céu em Sagitário e Meio do Céu em Gêmeos são a mesma informação dita de dois jeitos.
O Fundo do Céu muda se eu nasci em outra cidade? Só se mudar o meridiano. A fórmula do Fundo do Céu usa a hora sideral e a inclinação da Terra, e não usa a latitude; então duas pessoas nascidas no mesmo instante e no mesmo meridiano têm o mesmo Fundo do Céu, em qualquer ponto do planeta. O Ascendente delas, esse sim, pode cair em signos diferentes.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Fundo do Céu anda junto com o Meio do Céu, cerca de quinze minutos de arco por minuto de relógio: um erro de meia hora troca o signo dele em uma vez a cada quatro, e um erro de uma hora troca em metade dos casos. Com Sagitário embaixo, isso quer dizer 2h08 de janela, e uma hora chutada cabe inteira ali dentro.
Em resumo, o Fundo do Céu em Sagitário pode ser lido como uma raiz que vem de longe, de outra terra ou de outra fé, e que pede sentido à casa; ele forma a mesma reta do Meio do Céu em Gêmeos, e Júpiter mostra onde essa base se apoia hoje.
Palavras-chave fundo do céu, imum coeli, casa 4, família no mapa astral, meio do céu em gêmeos
O Fundo do Céu não depende da cidade, e o Ascendente depende. No mesmo instante e no mesmo meridiano, de Belém a Reykjavík, o Fundo do Céu é o mesmo grau e o Ascendente troca de signo. O Ascendente muda com a cidade; o Fundo do Céu, com o relógio. Veja o seu de graça aqui.
O Fundo do Céu nos 12 signos
O Meio do Céu nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Gêmeos, e ele descreve o que as pessoas veem você fazendo, enquanto o Fundo do Céu descreve de onde você veio.
