
Elementos e modalidades são duas maneiras de agrupar os doze signos, e as duas saem da ordem deles no zodíaco: o elemento anda de quatro em quatro signos, a modalidade de três em três. A grade do seu mapa conta onze pontos, e o que ela mostra depende muito da sua geração: três desses pontos, Urano, Netuno e Plutão, produzem quase toda a oscilação entre as décadas. E faltar um elemento, que parece incomum na tela, passa a ser o caso de dois em cada três mapas quando se olha só o que é pessoal.
A ideia dos quatro elementos é mais velha que o zodíaco que usamos. No século V antes de Cristo, Empédocles descreveu o mundo como mistura de quatro raízes, fogo, terra, ar e água, unidas e separadas por forças opostas. Aristóteles ligou cada uma a um par de qualidades, quente ou frio, seco ou úmido, e a astrologia helenística distribuiu os signos por esses quatro grupos, chamados triplicidades, ou trígonos, porque os três signos de cada elemento formam um triângulo no círculo. As modalidades vêm das estações. Os signos cardinais, palavra que nasce do latim cardo, a dobradiça, abrem cada estação: Áries e Libra nos equinócios, Câncer e Capricórnio nos solstícios. Os fixos ficam no meio da estação, quando ela está assentada, e os mutáveis no fim, quando ela já começa a virar a próxima.
Na semiótica do zodíaco, a ordem já carrega o sentido. Comece por Áries e conte: Áries é Fogo, Touro é Terra, Gêmeos é Ar, Câncer é Água, e Leão volta ao Fogo. De quatro em quatro, sempre. A modalidade é a mesma ideia com outro passo: Áries é cardinal, Touro é fixo, Gêmeos é mutável, Câncer volta ao cardinal. De três em três. É por isso que os dois nunca se repetem juntos: quatro e três não têm divisor comum, e as doze combinações dão exatamente os doze signos. Cada signo é um par único de elemento e modalidade.
Cruzando os dois, o Fogo cardinal é Áries, o fixo é Leão e o mutável é Sagitário; a Terra cardinal é Capricórnio, a fixa é Touro e a mutável é Virgem; o Ar cardinal é Libra, o fixo é Aquário e o mutável é Gêmeos; e a Água cardinal é Câncer, a fixa é Escorpião e a mutável é Peixes.
Uma maneira de ler o par é pensar que o elemento diz de que matéria é feita a resposta: o Fogo age, a Terra constrói, o Ar nomeia, a Água sente. A modalidade diz em que momento ela entra: o cardinal começa, o fixo mantém, o mutável ajusta. Um signo é sempre os dois ao mesmo tempo, e é a combinação que o descreve: Touro é Terra que mantém; Virgem, Terra que ajusta.
A grade do seu mapa conta onze pontos: os dez planetas e o Ascendente. Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão e o grau que estava subindo no horizonte quando você nasceu. Sem a hora de nascimento são dez, e não onze: o Ascendente é o único que depende do relógio, e sem ele a grade nasce com um ponto a menos, uma conta honesta com o que se sabe. Casas, nodos, Quíron e os outros pontos não entram, e uma grade que contasse quinze pontos daria outros números.
Onze pontos repartidos em quatro elementos dariam 2,75 cada se o céu fosse parelho. Medimos em 124.185 mapas, de seis em seis horas entre 1940 e 2025, e a média de cada elemento fica em cima disso: fogo 2,75, terra 2,82, ar 2,74, água 2,69. Só que a média é diferente do que você vê. O que se olha na tela é o elemento mais cheio, e ele quase nunca tem 2,75 pontos:
O elemento mais cheio tem 3 dos 11 pontos em 8,5% dos mapas; 4 dos 11 em 45,1%; 5 em 32,0%; 6 em 11,3%; 7 em 2,6%; e 8 em 0,4%.
Quatro ou cinco pontos num elemento é o caso de três em cada quatro pessoas. Se o seu mapa tem cinco em Água, isso está dentro do comum. O que chama atenção começa em seis, e seis acontece em um mapa a cada nove.
Em 17,3% dos mapas pelo menos um elemento fica zerado, um em cada seis, e em 0,2% faltam dois, o que aí sim é incomum. Com as modalidades a conta é outra: só 2,0% dos mapas têm alguma zerada. A diferença tem causa aritmética: são três modalidades para onze pontos, e quatro elementos para os mesmos onze. Com menos gavetas, é mais difícil deixar uma vazia. E vale dizer o que «faltar» quer dizer aqui: faltar não significa que você não tem aquela qualidade. Significa que nenhum dos onze pontos medidos caiu naquele grupo, e o mesmo mapa pode ter a casa toda daquele elemento, um Ascendente que puxa para lá, ou um planeta encostado na cúspide.
A repartição por elemento oscila conforme o ano de nascimento, e oscila muito. Década a década, nos mesmos 124.185 mapas:
Nos anos 1940, 3,00 em fogo, 2,59 em terra, 3,38 em ar e 2,03 em água; nos anos 1960, 2,23 em fogo, 3,66 em terra, 2,12 em ar e 2,99 em água; nos anos 1980, 3,05 em fogo, 2,65 em terra, 2,50 em ar e 2,80 em água; nos anos 2000, 2,80 em fogo, 2,20 em terra, 3,41 em ar e 2,60 em água; e nos anos 2020, 1,71 em fogo, 3,85 em terra, 2,57 em ar e 2,88 em água.
Quem nasceu nos anos 2020 tem, em média, 3,85 pontos em Terra e 1,71 em Fogo; quem nasceu nos anos 1940 tinha 3,38 em Ar e 2,03 em Água. É outra distribuição, e a causa é medível. Refizemos a mesma medição com pedaços do mapa, para ver de qual deles vem a oscilação. A amplitude é a distância entre a década em que um elemento aparece mais e aquela em que aparece menos:
Contando os 11 pontos inteiros, a oscilação é de 1,65; contando só Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte e o Ascendente, que são 6 pontos, é de 0,15; contando Júpiter e Saturno, que são 2, é de 0,38; e contando Urano, Netuno e Plutão, que são 3, é de 1,66.
Três pontos de onze produzem a oscilação inteira, e os seis pessoais quase não se mexem. O motivo é simples de ver: Plutão leva de doze a trinta anos em cada signo, Netuno leva catorze, Urano leva sete. Quem nasceu na mesma faixa de anos tem os três no mesmo lugar, e três dos onze pontos já são mais de um quarto da grade. Então, se o seu mapa tem cinco em Terra, uma primeira pergunta útil é: quantos desses cinco são Urano, Netuno ou Plutão? Se forem três, o que a grade está contando é a sua geração.
A grade de elementos e modalidades do seu mapa sai pronta no mapa grátis, com os onze pontos separados um a um, e dá para ver na hora quais são pessoais e quais são da sua década.
Ver a minha grade, de graçaSe os três lentos são da década, sobra a pergunta boa: como fica a repartição quando se olha só o que é seu? Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte e o Ascendente, seis pontos. Medidos nos mesmos mapas, eles dão praticamente o plano: 1,50 em fogo, 1,49 em terra, 1,51 em ar e 1,49 em água. E aqui a conta de faltar se inverte, o que é o achado mais útil desta página:
Falta pelo menos um elemento em 17,3% dos mapas contando os 11 pontos da tela, e em 68,2% contando só os 6 pessoais; e falta pelo menos uma modalidade em 2,0% nos 11 pontos e em 19,9% só nos 6 pessoais.
«Não tenho nada em Fogo» é incomum no que a tela mostra e comum no que é seu: passa de um mapa em seis para dois em cada três. A explicação é a mesma de antes, vista do outro lado: os três planetas lentos tapam buracos que não são seus. Um mapa sem nenhum ponto pessoal em Fogo pode ter Plutão em Sagitário e ver a tela dizer «tem fogo». As duas contas estão certas, porque respondem a perguntas diferentes: a de onze pontos descreve o mapa inteiro; a de seis descreve o que a sua data e a sua hora escolheram.
A pergunta filosófica que mora nessa grade é a da falta: o que um vazio diz sobre nós? Lao Tsé escreveu no Tao Te Ching: "É o vazio que torna a taça útil." Um elemento zerado pode ser lido assim, como espaço por onde algo entra, pelas pessoas à volta, pelas casas, pela vida, e menos como defeito a consertar. E Espinosa, no Tratado Político, deixou um conselho de método que serve a quem olha a própria grade: "Não rir, não lamentar, não detestar, mas compreender." Antes de concluir que falta alguma coisa em nós, conseguimos perguntar o que exatamente a conta está medindo?
Porque a grade não diz quem tem mais de alguma coisa. Cinco em Água não significa mais sensibilidade que quatro; três em Fogo não significa menos coragem que cinco. A grade é uma contagem, e contagem fica longe de ser medida de intensidade: um Sol sozinho em Áries pode pesar mais numa vida que Netuno, Plutão e Urano juntos em Sagitário. E ela não diz o que fazer. A recomendação de «compensar o elemento que falta» vem do costume, e não da conta; o que a medição mostra é mais modesto e mais útil: faltar é comum, e o que muda de mapa para mapa é qual ponto está onde, muito mais que o total.
No seu mapa, o caminho é olhar cada ponto da grade. Para ver de onde vem cada um, comece pela série O Sol nos 12 signos e pela A Lua nos 12 signos. E para entender por que os três lentos são de turma, veja Plutão nos 12 signos, que explica o tamanho de cada geração.
Se você quiser essa grade lida ponto por ponto, o Mapa astral completo separa o que é seu do que é da sua geração e lê cada planeta no signo e na casa. E Personalidade e essência continua a investigação pelo temperamento que os seis pontos pessoais desenham.
A pergunta que fica é: o elemento que parece faltar no seu mapa aparece onde na sua vida, nas pessoas que você procura ou nas coisas que você faz sem perceber?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre elementos e modalidades:
Não tenho nenhum planeta em fogo. Isso é ruim? Não, e é mais comum do que parece. Contando os onze pontos da tela, 17,3% dos mapas têm algum elemento zerado, um em cada seis. Contando só os seis pontos pessoais, sobe para 68,2%: dois em cada três. Faltar é o caso normal.
Quantos pontos entram nessa conta? Onze: os dez planetas e o Ascendente. Sem a hora de nascimento são dez, porque o Ascendente é o único que depende do relógio. Casas, nodos e Quíron ficam de fora, e é por isso que a sua grade aqui pode não bater com a de outro site, que talvez conte outros pontos.
Cinco pontos num elemento é muito? É comum: acontece em 32,0% dos mapas, e quatro pontos acontece em 45,1%. Somando, três em cada quatro pessoas têm quatro ou cinco no elemento mais cheio. O que começa a ser destaque é seis, que aparece em 11,3%, um mapa a cada nove.
Por que tanta gente da minha idade tem o mesmo elemento carregado? Porque três dos onze pontos são de geração. Urano fica sete anos em cada signo, Netuno catorze e Plutão de doze a trinta, e quem nasceu na mesma faixa de anos tem os três no mesmo lugar. Medido: a oscilação da grade entre décadas é de 1,65 ponto, e sozinhos esses três respondem por 1,66. Os seis pontos pessoais oscilam 0,15.
Qual é a diferença entre elemento e modalidade? O elemento diz de que matéria é a resposta: o Fogo age, a Terra constrói, o Ar nomeia, a Água sente. A modalidade diz em que momento ela entra: o cardinal começa, o fixo mantém, o mutável ajusta. Todo signo é os dois ao mesmo tempo, e as doze combinações dão exatamente os doze signos, sem repetir nenhuma.
Falta uma modalidade inteira no meu mapa. É a mesma coisa que faltar um elemento? É bem mais incomum: 2,0% dos mapas, contra 17,3% dos elementos. E o motivo é aritmético: são três modalidades para onze pontos e quatro elementos para os mesmos onze. Com menos gavetas, é mais difícil deixar uma vazia.
Em resumo, elementos e modalidades agrupam os doze signos de quatro em quatro e de três em três, e cada signo é um par único dos dois. A grade conta onze pontos; um elemento zerado aparece em 17,3% dos mapas e em 68,2% quando se olha só o que é pessoal, e quem move a grade de uma década para outra são Urano, Netuno e Plutão.
Palavras-chave elementos, modalidades, fogo, terra, ar, água, cardinal, fixo, mutável
Faltar elemento é o caso normal. Contando só os seis pontos pessoais, falta pelo menos um elemento em 68,2% dos mapas, dois em cada três; contando os onze pontos da tela, em 17,3%. Veja o seu mapa de graça aqui.
Perguntas de quem está começando
O Sol nas 12 casas
O signo diz como; a casa diz onde. É a peça que mais depende da hora exata de nascimento.
Mercúrio nos 12 signos
O seu Mercúrio está no signo do seu Sol, no anterior ou no seguinte, e é ele que explica por que duas pessoas do mesmo signo pensam tão diferente.
Vênus nos 12 signos
O seu Vênus está no signo do seu Sol, nos dois anteriores ou nos dois seguintes, e é ele que explica por que duas pessoas do mesmo signo amam tão diferente.
