
Ter o Descendente em Áries pode ser lido como a procura, no outro, da decisão que você custa a tomar por conta própria. O Descendente é o grau do zodíaco que estava se pondo no horizonte oeste no instante e no lugar em que você nasceu: um ângulo, como o Ascendente e o Meio do Céu. Na astrologia, ele está associado ao outro, àquilo que chega até você pelas relações. Áries, por sua vez, é tradicionalmente relacionado à iniciativa, ao começo e à coragem de cortar. Quando interpretamos o Descendente em Áries, aproximamos esses dois campos simbólicos: o encontro com o outro e o impulso de agir.
Essa leitura tem uma longa história. Os astrólogos gregos chamavam este ponto de dysis, o poente, porque é ali que o Sol desaparece todas as tardes. A sétima casa, que começa nele, ficou com os assuntos de quem está diante de nós: o cônjuge, o sócio e também o adversário declarado, que a astrologia antiga punha no mesmo lugar. Se o Ascendente descreve como você chega, o Descendente descreve o que chega até você. O carneiro do signo é o do velocino de ouro, que no mito grego levou Frixo pelos ares, e Áries ficou ligado ao equinócio de março.
Descendente em Áries é Ascendente em Libra, sempre: é a mesma reta vista pelas duas pontas. O Descendente fica exatamente 180 graus depois do Ascendente, sem exceção e sem depender do sistema de casas que o seu mapa usou. A sua chegada e a sua procura podem, então, ser lidas como a mesma informação. Aquilo que você exerce pouco no seu jeito de chegar talvez seja o que vai buscar em quem se aproxima, e a queixa mais frequente sobre o parceiro pode acabar descrevendo o que faltava de casa. A outra ponta está em Ascendente em Libra.
Os doze signos não passam pelo horizonte no mesmo tempo, e a diferença depende da cidade. Medido com a inclinação da Terra de hoje, 23,4381 graus, e com a fórmula que este site usa para montar mapa, o tempo que Áries leva se pondo é este: em Fortaleza, a 3,7° S, 1h48, 7,54% do dia; em São Paulo, a 23,5° S, 1h31, 6,34%; e em Porto Alegre, a 30,0° S, 1h24, 5,88%. Esses números medem tempo de céu. Cesárea marcada, indução e horário de hospital concentram nascimentos em certas faixas do relógio, por isso vale não lê-los como porcentagem de pessoas.
O próprio símbolo de Áries diz bastante. É o primeiro signo do zodíaco, de fogo e cardinal. De fogo, o elemento associado ao entusiasmo e à vontade. Cardinal, a qualidade dos signos que abrem estação. O glifo ♈ costuma ser lido como os chifres do carneiro, uma linha que sobe e se abre para os dois lados. E há o regente, Marte, o planeta associado à ação, ao desejo e ao corte. Posto no Descendente, esse vocabulário passa a descrever aquilo que você encontra, admira ou provoca no outro.
A pergunta humana que mora aqui talvez seja esta: por que deixamos ao outro a parte da liberdade que mais nos assusta? Kierkegaard, em O Conceito de Angústia, escreveu que "A angústia é a vertigem da liberdade." Pensada a partir desta posição, ela ajuda a entender um movimento delicado: uma chegada em Libra pode pesar os dois lados por tanto tempo que a escolha começa a dar vertigem, e alguém que decide depressa aparece como alívio. Podemos pensar que o encanto por quem diz "vamos" nasce, em parte, dessa vertigem que ele resolve por nós.
Uma maneira de investigar essa combinação é olhar para quem costuma ficar. Em relacionamento, em sociedade e em amizade de longa data, você pode perceber que se aproxima de gente que resolve, que decide sem consultar três pessoas antes. Alguém pode passar anos achando que gosta de gente impulsiva e só depois perceber que gostava, na verdade, de não precisar decidir.
Epicteto deixou um conselho que conversa com esse ponto: "Diz primeiro a ti mesmo o que queres ser; depois faz o que tens de fazer." Existe, porém, uma tensão nessa relação. Se procuramos no outro a decisão que não tomamos, o que acontece quando a decisão dele vira, por hábito, a decisão dos dois? Se delegamos o corte, conseguimos depois aceitar a conta que ele traz? E se admiramos a pressa do outro, reconhecemos nela uma parte nossa que ficou do lado de fora?
Essas questões não significam que todo Descendente em Áries viva tais conflitos. Uma posição astrológica, isoladamente, não permite afirmar isso sobre ninguém. Elas são caminhos de investigação que nascem do encontro entre os significados simbólicos do Descendente e de Áries. Em vez de afirmar que alguém atrai necessariamente gente brigona, podemos investigar a relação entre escolha, coragem e parceria.
Sinastria amorosa: compatibilidade do casal · R$ 197,00
Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde vocês combinam, onde se desentendem e o que faz a relação dar certo.
O signo sugere o quê; o regente sugere onde. Áries é regido por Marte, e o lugar de Marte no seu mapa ajuda a ver em que área da vida essa procura aparece primeiro. Marte na casa 10 costuma trazer o encontro pelo trabalho; na casa 9, pela viagem ou pelo estudo; na casa 3, pelo bairro e pelos irmãos. A regência usada aqui é a tradicional, a mesma da página do regente do mapa.
Na comparação de dois mapas, a observação antiga é simples: alguém cujo Sol, Lua ou Ascendente cai no seu Descendente costuma ser reconhecido depressa, com a sensação de "já conheço" antes de haver história. Com o Descendente em Áries, isso aponta para gente com peso em Áries no mapa. O reconhecimento rápido sugere que alguém ocupa o lugar que você deixou livre; ele não diz se a relação é boa para você nem se vai durar. A leitura de um par olha os dois mapas inteiros; o assunto está em o que é sinastria.
O mapa tem quatro ângulos, em dois pares opostos. O Ascendente e o Descendente formam a linha do horizonte: como você chega e o que chega até você. O Meio do Céu e o Fundo do Céu formam a linha do meridiano: o que as pessoas veem você fazendo e de onde você veio. Os quatro dependem da hora exata, e três deles dependem também da cidade; o Meio do Céu é o único que não usa a latitude.
O Descendente não diz com quem você vai ficar, nem quando, nem se vai. Nenhum signo casa ninguém, e não existe combinação proibida: gente com o Descendente em Áries constrói relações longas com as doze possibilidades do outro lado. A astrologia oferece um vocabulário simbólico para pensar a própria experiência; ela não faz diagnóstico nem substitui terapia, e uma relação que faz mal não melhora porque a geometria ajudou a entender de onde ela veio.
Se você quiser fazer essa investigação no seu próprio desenho, o Mapa do amor lê o Descendente junto com Marte, Vênus e a casa 7. A Sinastria amorosa: compatibilidade do casal põe o seu mapa ao lado do de outra pessoa, e a Análise de sócios olha para a mesma procura no lugar em que decidir junto tem consequência no caixa.
A pergunta que fica é: que decisão você vem esperando que alguém tome por você?
Algumas perguntas que costumam chegar sobre o Descendente em Áries:
Descendente em Áries quer dizer que atraio gente briguenta? Não necessariamente. Uma leitura possível é que a decisão rápida é o que chama você, e decisão rápida sem cuidado pode virar briga: é o mesmo traço em duas doses. Quando a escolha se guia pela dose certa, costumam aparecer parceiros que decidem e escutam; quando se guia pela intensidade, a briga tende a vir junto.
O Descendente é sempre o signo oposto ao Ascendente? Sempre, e isso é conta. O Descendente é o grau exatamente oposto ao do Ascendente, 180 graus de diferença, sem exceção e sem depender do sistema de casas. Por isso Descendente em Áries e Ascendente em Libra são a mesma informação dita de dois jeitos, e sabendo um você já sabe o outro.
O Descendente é a casa 7? Em Placidus, que é o sistema que este site usa, o Descendente é a cúspide da casa 7 por construção. Em casas iguais, nem sempre: ali a casa 7 começa no mesmo grau do Ascendente, meia volta adiante, e o Descendente pode cair na casa 6 ou na 7. Vale conferir qual sistema o seu mapa usou antes de misturar as duas coisas.
Preciso da hora exata de nascimento? Precisa. O Descendente troca de signo junto com o Ascendente, e em 1h31, que é o tempo que Áries leva se pondo em São Paulo, cabe uma hora chutada inteira. Sem hora e sem cidade, o que se tem é um palpite com nome técnico.
Em resumo, o Descendente em Áries pode ser lido como a procura, no outro, da decisão que você custa a tomar por conta própria: a admiração pela coragem alheia e o convite a reconhecer essa coragem como sua. O lugar de Marte no seu mapa mostra onde esse encontro costuma acontecer.
Palavras-chave descendente, casa 7, relacionamento no mapa astral, ascendente em libra
Descendente em Áries e Ascendente em Libra são a mesma reta vista pelas duas pontas. O que você não exerce na sua chegada é o que vai procurar em quem se aproxima, e as duas coisas estão no mesmo mapa, separadas por meia volta exata. Veja o seu de graça aqui.
O Descendente nos 12 signos
O Ascendente nos 12 signos
A outra ponta da mesma reta. O seu é Libra, e ele descreve como você chega, enquanto o Descendente descreve o que chega até você.
