
O Vertex é um cruzamento, e não um corpo. É o ponto em que o círculo que passa exatamente a leste e a oeste de si, o vertical primário, encontra a faixa do zodíaco, do lado do poente. Não há nada ali para apontar um telescópio, e o cálculo depende de três coisas: a hora, a longitude e, sobretudo, a latitude do lugar em que nasceu.
A astrologia costuma tratá-lo como um segundo Descendente, o lado dos encontros que chegam de fora, que não marcou. É uma leitura possível. O que quase nenhum texto conta é o que vem agora, e que muda quem pode usar esta peça.
No hemisfério sul, o Vertex em Sagitário só existe a partir de 20,15° de latitude; no hemisfério norte, ele só existe a partir de 20,15° de latitude.
Isso não é convenção nem escola: sai da conta. Dentro dos trópicos o Vertex não dá a volta no zodíaco, ele fica preso em dois arcos curtos e opostos, um em cima da fronteira Peixes/Carneiro e outro em cima da fronteira Virgem/Balança. Em Belém cada arco tem cerca de sete graus. É por isso que quatro signos são possíveis em qualquer latitude do planeta, Virgem, Balança, Peixes e Carneiro, e os outros oito precisam de distância do equador.
Em Belém, a 1,46° S, são possíveis 4 dos doze signos: Virgem, Balança, Peixes e Carneiro. Em Manaus, a 3,10° S, 4; em Recife, a 8,05° S, 4; em Salvador, a 12,97° S, 8, esses quatro com Touro, Leão, Escorpião e Aquário; em Brasília, a 15,79° S, 8; em Belo Horizonte, a 19,92° S, 8; no Rio de Janeiro, a 22,91° S, 12, os doze; em São Paulo, a 23,55° S, 12; e em Porto Alegre, a 30,03° S, 12.
O degrau que mais muda esta tabela cai entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. São três graus de latitude, e de um lado oito signos são possíveis, do outro os doze. Quem nasceu em Belém não pode ter o Vertex em Caranguejo, e nenhum site que mostre isso está a usar esta conta.
Os arcos abrem em degraus exatos, porque as bordas deles vão a cruzar as fronteiras de signo, e são dois degraus, de quatro signos cada. Em 11,47 graus de latitude entram Touro, Leão, Escorpião e Aquário; em 20,15, entram Gémeos, Caranguejo, Sagitário e Capricórnio. E a partir de 23,4381 graus, que é a inclinação da Terra, e por isso a linha do trópico, os dois arcos encontram-se: o Vertex deixa de ter buraco e passa a alcançar qualquer grau do zodíaco, e não só qualquer signo. No hemisfério norte os números são os mesmos, e por uma razão bonita: cada degrau junta signos que já são opostos entre si, Touro com Escorpião, Leão com Aquário, Gémeos com Sagitário, Caranguejo com Capricórnio. A simetria de 180 graus entre os hemisférios cai em cima dela mesma.
Com o Vertex em Sagitário, o que chega de fora costuma chegar de longe. O encontro que não marcou vem de outro lugar: outra cidade, outro país, outra área, outra geração. É a chegada que amplia o cenário, e costuma aparecer justamente quando a vida estava a estreitar.
O custo é a instabilidade. O que vem de longe também vai embora para longe, e este Vertex traz muita passagem. Quem o tem costuma ter uma lista de pessoas importantes que ficaram pouco tempo, e demorou a aceitar que a brevidade não anula o efeito.
Este Vertex reconhece-se pela distância de onde as coisas vieram. São sinais concretos, do tipo que se reconhece na própria semana:
- Gente que mudou o seu rumo veio de fora do seu círculo geográfico ou profissional.
- Viagens e cursos renderam encontros mais decisivos do que a rotina.
- Pessoas importantes passaram pouco tempo e deixaram muito.
- Aprende com quem não é do seu meio.
- Períodos em que ficou parada foram períodos sem chegada nenhuma.
Repare no que essa lista não diz. Ela diz que o que chega sem convite, no seu mapa, costuma vir de fora do seu circuito.
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Compare o seu mapa com o da pessoa amada: onde combinam, onde se desentendem e o que faz a relação resultar.
O Vertex é a peça do mapa que mais depende de onde a pessoa nasceu. Mais até que o Ascendente, porque a latitude não muda só o grau dele: muda quais signos são possíveis. Errar a cidade por alguns graus de latitude pode tirar um signo inteiro da mesa.
E a hora importa do jeito de sempre: fora dos trópicos o Vertex dá uma volta completa por dia, então ele anda depressa. Dentro dos trópicos ele anda pouco, o que é uma boa notícia para quem não sabe a hora exata, e uma má notícia para quem esperava uma peça pessoal.
Ele não marca encontros, e não promete ninguém. O Vertex não promete viagem, estrangeiro nem mestre. Descreve a distância típica da chegada, e distância não garante valor.
E perto do equador ele quase não é seu. Em dois arcos de sete graus, o Vertex de quem nasceu em Belém cai num de quatro signos, e quase sempre no mesmo punhado de graus, é uma constante da cidade, e não um traço da pessoa. Sagitário entra no segundo degrau, junto com Gémeos, Caranguejo e Capricórnio: no hemisfério sul, a partir de 20,15 graus. Quem nasceu em Belo Horizonte não alcança; quem nasceu no Rio de Janeiro, sim.
Um limite dito em voz alta, porque faz parte de ler com seriedade: nada disto é previsão. A astrologia descreve tendência e dá vocabulário para o que a pessoa já vive, não determina o que vai acontecer, e ninguém deveria vender isso.
E as perguntas que mais chegam sobre este assunto, com a resposta curta:
Vertex em Sagitário quer dizer relacionamento com estrangeiro? É uma leitura literal demais. O que a posição descreve é a distância do que chega, que pode ser geográfica, e pode ser de área, de geração ou de meio.
Nasci em Belo Horizonte. Posso ter este Vertex? Não. A 19,92 graus de latitude oito signos são possíveis, e Sagitário não é um deles. No hemisfério sul ele só entra a partir de 20,15 graus de latitude.
Por que outro site mostra o meu Vertex noutro signo? Se nasceu dentro dos trópicos, provavelmente porque o outro site não trata a latitude como esta conta trata, ou porque escolheu o ponto oposto. Abaixo de 23,44 graus de latitude o Vertex fica preso em dois arcos curtos: em Belém, por exemplo, só pode cair em Virgem, Balança, Peixes ou Carneiro. Um resultado fora desses arcos veio de outra fórmula.
O Vertex mostra quando vou encontrar alguém? Não. Ele é um cruzamento geométrico entre o vertical primário e o zodíaco, e a leitura tradicional o associa a encontros que chegam de fora, o que é uma metáfora útil, e não uma agenda. Data de encontro não se lê num ângulo.
Preciso saber a cidade exata de nascimento? Precisa, e mais do que para qualquer outra peça. A latitude não muda apenas o grau do Vertex: perto dos trópicos ela muda quais signos são possíveis. Alguns graus de diferença na latitude tiram dois signos inteiros da mesa, porque eles entram aos pares.
Existe Antivertex? Existe: é o ponto oposto, a 180 graus, do lado nascente. E essa convenção é a que decide o resultado: o Vertex é o que cai na metade poente do mapa, nas casas 5 a 8, e o Antivertex é o outro. Como os dois vivem em arcos opostos, um site que escolha o oposto devolve um signo oposto ao seu. Este site calcula os dois, e diz qual é qual.
Em resumo, esta posição lê-se assim:
Palavras-chave vertex, antivertex, vertex no mapa astral, latitude e vertex
Dentro dos trópicos o Vertex só cai em dois arcos curtos e opostos, e em Belém cada um tem sete graus. Quatro signos são possíveis em qualquer latitude; os outros oito entram em dois degraus, aos 11,47 e aos 20,15 graus. Veja o seu de graça aqui.
O Vertex nos 12 signos
O Sol nas 12 casas
O signo diz como; a casa diz onde. É a peça que mais depende da hora exata de nascimento.
Mercúrio nos 12 signos
O seu Mercúrio está no signo do seu Sol, no anterior ou no seguinte, e é ele que explica por que duas pessoas do mesmo signo pensam tão diferente.
Vénus nos 12 signos
O seu Vénus está no signo do seu Sol, nos dois anteriores ou nos dois seguintes, e é ele que explica por que duas pessoas do mesmo signo amam tão diferente.
